Brasil festeja a vitória de Trump

Da FOLHA

Por FLÁVIA BOGGIO

Imigrantes latino-americanos celebram o resultado antes de serem deportados

Na maior volta por cima da história dos Estados Unidos, que terminou em uma volta de 360º, o candidato republicano Donald Trump venceu a disputa presidencial e retornará à Casa Branca.

Jornais brasileiros já estão adaptando as reportagens com textos culpando a esquerda, prontos desde 2014, apenas substituindo o termo PT por Partido Democrata. Em breve, pipocarão nos cadernos políticos frases como “Kamala deveria ter conversado com a dona Maria de Ohio”, “os democratas não serviram café com bolo o suficiente para virar o voto dos americanos”, “não é a Beyoncé organizando sarau no apartamento do Caetano Veloso que fará a esquerda vencer a eleição presidencial”.

Enquanto isso, brasileiros conservadores e cidadãos de bem comemoram a vitória de Trump. Em Balneário Camboriú, moradores celebram a volta do fascismo nos Estados Unidos. Tudo bem que o futuro presidente detesta pessoas latinas e ficará mais complicado viajar para a Disney. O que importa é que a esquerda foi derrotada.

Em território americano, imigrantes brasileiros comemoram a vitória do grande inimigo do comunismo. Como disse aquela brasileira que encontrou Trump no McDonald’s, finalmente os Estados Unidos não vão virar um Brasil, que está se tornando uma Venezuela. Enquanto isso, o futuro presidente Trump já prepara um pacote de McLanche Feliz, cheio de medidas para expulsar da Flórida tanto brasileiros quanto venezuelanos.

Grande polo de exportação de brasileiros para os Estados Unidos, a cidade de Governador Valadares também está em festa. Querem comemorar ao máximo antes que Trump comece a prender os imigrantes ilegais em Boston. Depois, é só pedir ajuda ao Lula para tirá-los da cadeia. Mas o que interessa é que o esquerdismo maldito foi massacrado.

Em São Paulo, a Faria Lima festeja Trump. Não importa que tenha vencido o candidato misógino e racista, que defende prisão e deportação de imigrantes. A vitória republicana vai beneficiar o mercado.

No Centro-Oeste, os poderosos do agronegócio celebram a vitória de Trump, um patriota ultraconservador dos Estados Unidos. Tão patriota que dificultará a entrada de commodities estrangeiras no país. O agro brasileiro terá que exportar para a China, a preço de banana. Mas o importante é que os chineses comunistas não dominarão o mundo.

Facebook Comments

Posts Similares

1 Comentário

  1. Chorem paulinho e Lucia kkkkkk. Sobre deportar pessoas, ta certinho, se entrou la ilegalmente, q sejam expulsos mesmo. Se tem ilegal comemorando sao burros

Deixe uma resposta

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.