Escândalo dos ingressos pode gerar perda (bruta) de R$ 33,1 milhões ao Corinthians

Na partida entre Corinthians e Flamengo, dos 46 mil ingressos que entraram no estádio de Itaquera, 15 mil foram distribuídos, em tese, gratuitamente pela diretoria alvinegra.

1/3 do público.

A prática é adotada desde o início da gestão Augusto Melo.

Considerando que o clube, em média, realiza 35 jogos anuais na Arena, e que a arrecadação destas partidas gira em torno de R$ 2,5 milhões, a perda envolvida nestas gratuidades seria de, aproximadamente, R$ 834 mil por jogo.

No total: R$ 29,1 milhões.

Já seria uma fortuna, mas o prejuízo ainda é maior.

Os ingressos supostamente gratuitos são declarados ao Fisco pelo valor de R$ 20.

Cálculo feito pelo Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT) mostra que 40,85% do valor cobrado em ingressos para atividades culturais é formado por impostos.

Levando-se em consideração que 1/3 da carga corresponde, em conta rápida, a 14 mil entradas, o percentual a ser cobrado teria como base 490 mil ingressos, ou seja, R$ 9,8 milhões.

O imposto corresponderia a R$ 4 milhões.

A perda total, somados os R$ 29,1 milhões com a cobrança de tributos seria de R$ 33,1 milhões.

Duas vezes mais do que o Timão recebe, anualmente, pelos naming-rights da Arena.

É provável que parte deste desvio, como confessado pela diretoria do Corinthians, seja, de fato, destinado a relações institucionais e patrocínios, mas, certamente, como explicitado em centenas de denúncias que circulam pela internet, não a totalidade.

Existe notório esquema de cambismo que utiliza desde conselheiros do baixo clero até torcedores ‘organizados’.

Há casos de entradas vendidas no Fiel Torcedor a R$ 40 sendo repassadas por R$ 400.

Enquanto o Corinthians perde milhões, os malandros enriquecem.

Perdem também os que se associaram ao plano de fidelidade que acabam financiando a esperteza, quando poderiam, descontada a possível roubalheira, pagar por ingressos mais baratos.

Sem contar a escassez das entradas, direcionadas ao comercio paralelo, não aos que, por contrato, deveriam ser acolhidos pela prioridade.


Em tempo: se os R$ 29,1 milhões (brutos) que o clube desviou para a suposta ‘gratuidade’ fossem vendidos e contabilizados, cobrados os devidos impostos, resultariam em arrecadação líquida de R$ 17,2 milhões – maior do que uma parcela anual de ‘namig-rights’ do estádio de Itaquera, que é de R$ 15 milhões.

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