Vai de Bet, Gusttavo Lima e a apostadora desesperada

Anteontem (11), a operadora de telemarketing A.A.S.L.S, 41 anos, ingressou na Justiça contra a Vai de Bet (através das operadoras Pay Brockers e Zenetpay) e o cantor Gusttavo Lima (Nivaldo Batista Lima, o nome verdadeiro), alegando ter sido induzida ao vício do jogo através de live protagonizada pelo artista.

A ação tramita no Foro de Ribeirão Preto/SP.

Trata-se de caso típico de pessoa humilde enganada pela desenfreada propaganda da jogatina.

No caso de A.A., com consequências, conforme veremos adiante, terríveis não apenas no aspecto financeiro, mas também no de saúde e familiar.

Vamos aos fatos.

Fã de Gusttavo Lima, A.A. decidiu assistir a uma live em que o cantor, ao lado doutros dois influenciadores, segundo palavras dela, dizia utilizar-se da Vai de Bet para ganhar dinheiro.

Lima teria falado que apostou R$ 6 e ganhou R$ 1,8 mil, e que as pessoas deveriam seguir seu exemplo “que era ótimo para ajudar as pessoas a quitarem as dívidas pessoais”.

Não havia indicação apenas de apostas esportivas, mas também do terrível ‘Jogo do Tigrinho’, que levou, recentemente, a Justiça a fechar diversos sites, por se tratar de óbvia arapuca para viciados em jogos.

Limitada, como muitos apostadores de pouco estudo, A.A. caiu no conto e passou a depositar o pouco que possuía.

Iniciou com R$ 1,00, que, a cada derrota, foi se avolumando, a ponto da vítima, em desespero, tomar empréstimo bancário de R$ 5 mil (uma fortuna para ela), que se esvaiu em poucos instantes.

A esta altura, a atendente de telemarketing, que ganha pouco mais de um salário mínimo mensal, estava viciada.

O marido de A.A. não foi informado dos problemas, tanto os financeiros quanto os de saúde, o que deverá implicar em reflexos familiares impossíveis de serem previstos.

Tomara, seja acolhida.

Inocente, A.A.. pelas mídias sociais, pediu ajuda a Gusttavo Lima, sendo solenemente ignorada:

“Oi Gusttavo, espero que esteja tudo bem com o senhor e toda a sua família, porque comigo não está”

“Talvez o senhor ajudou (sic) a me lascar mais um pouquinho porque sempre fui sua fã”

“Eu gastei todo o pouco que eu tinha jogando na Vai de Bet, a empresa que o senhor divulga… foi por confiar na sua palavra”

‘Foram muitas noites de sono perdidas…. fiz empréstimo no meu nome e perdi tudo… até a vontade de viver”

“Pedi ajuda à Vai de Bet… eles bloquearam minha conta dizendo que a Vai de Bet não é Renda Fixa”

“Eu sei que sou um lixo, que sou burra, por confiar em pessoas como o senhor”

“Deus abençoe a sua vida e a de todos os colaboradores que divulgam o site”

Ontem (12), A.A. juntou ao processo consulta realizada no SUS de Ribeirão Preto em que, no relatório médico, assinado pelo Dr. Guilherme Melo Natalin, é diagnosticada como “paciente com problemas relacionados a compulsão por jogos tipo Bet”.

Outras informações, gravíssimas, foram colocadas.

Destacamos:

  • paciente refere ter ficado viciada em jogos da Vai de Bet (do Gusttavo Lima) agora tem dívida de R$ 10 mil;
  • relata que tem insônia, choro fácil e desespero;
  • não sabe como conversar com o marido a respeito;
  • chega a pensar em se matar;
  • gestaria de conversar com psiquiatra;

A ela foram prescritas medicações.

Trata-se de um, entre tantos casos, de pessoas que acreditam em seus ídolos e mergulham de cabeça no precipício da jogatina, em que apenas os donos da banca e os propagadores destes sites saem vencedores.

Todos cúmplices da desgraça.

Para tentar estancar um pouco da sangria, projetos de Lei da deputada Gleisi Hoffmann (PR) e do deputado Reginaldo Lopes (PT-MG) objetivam impedir a propaganda das Bets em qualquer meio de comunicação – inclusive camisa de clubes.

Urge que isso ocorra.

A cada dia sem controle novas A.A. surgem com a vida desgraçada pela ilusão gerada em meio à ignorância.

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