Demitido por Augusto Melo, ex-gerente de Comunicação do Corinthians desabafa

“Estas duas entidades mercado e mídia – ainda são compostas, em grande parte, por gente muito responsável. E, infelizmente, o clube vinha preferindo entrar em conflitos com as partes saudáveis e estabelecer parcerias com àquelas mais questionáveis”
Por IGOR RIBEIRO*
Bye, Corinthians! Ou melhor… Até logo, Parque São Jorge. Pois o Timão estará sempre comigo.
Sim, esse ciclo se fechou. Pouco mais de um ano depois de ser contratado para assumir a Gerência de Comunicação Institucional, o clube me comunicou, semana passada, que já não precisa mais dos meus serviços.
Saio com consciência tranquila, ciente que sempre procurei superar as expectativas do cotidiano frenético de um clube de futebol, fossem as demandas internas das dezenas de departamentos; fosse o trabalho junto ao Marketing nas comunicações de projetos e negócios; fossem os alinhamentos de táticas específicas junto às modalidades; fosse o intenso atendimento a imprensa e criadores de conteúdo, principalmente na interface de questões espinhosas que, como se sabe, não foram poucas nos últimos meses.
Posso dizer, sem receio, que os projetos com cronogramas definidos foram entregues com excelência, principalmente porque faziam parte de um trabalho coletivo. Uma equipe talentosíssima, extremamente profissional, que trabalhava arduamente em prol do Sport Club Corinthians Paulista e seus parceiros, e conseguia focar no trabalho independentemente do que se passava nas instâncias superiores. E muitas vezes, apesar de haver gente que a atrapalhasse, não raro interna, não raro intencional.
Não entro no mérito de comparar as gestões, até porque conheci ótimos profissionais em ambas. Testemunhei seu amor e empenho pelo Timão antes e depois, e fizemos parcerias extremamente éticas antes e depois.
Mas nunca antes, nem no Corinthians nem em qualquer outra empresa que trabalhei, vi lideranças literalmente interromperem ou atrapalharem processos e trabalhos que funcionavam, que tinham um racional por trás com resultados comprovados. Poderiam afirmar, claro, que novos chefes podem chegar com ideias melhores que as anteriores e que, assim, mereceriam ser ao menos debatidas ou testadas pela equipe legada. Todavia, esse foi um empenho pontual. Quando começava a se insinuar um modelo mais participativo, ele logo foi tolhido em vez de incentivado. Até poucos tempo atrás, o comportamento vinha sendo quase o mesmo: decisões empurradas goela abaixo a título de puro absolutismo de um pequeno grupo, empoderado e talvez orgulhoso demais para se confessar equivocado.
Imagine só: me converti ao corinthianismo assistindo ao Sócrates jogar, vendo crescer a Democracia Corinthiana. Diante do temperamento atual e ganancioso, faz sentido que qualquer pensamento coletivo fique parecendo uma aberração. (Aliás, esse individualismo histérico tem prevalecido sobre o coletivismo em muitos lugares, instituições e situações, não é? Mas isso é outra história.)
O resultado desse comportamento orientado por viéses vaidosos, individualistas e nada solidários é visível no derretimento da relação do clube com o mercado. E está estampado quase diariamente na mídia.
Estas duas entidades mercado e mídia – ainda são compostas, em grande parte, por gente muito responsável. E, infelizmente, o clube vinha preferindo entrar em conflitos com as partes saudáveis e estabelecer parcerias com àquelas mais questionáveis. Diante de extenuante pressão pública, algumas mudanças têm se pronunciado. Espero que para o bem.
Trata-se de um momento definitivo para o futuro alvinegro. O Clube continuará se coadunando com quem favorece unicamente a uma agenda de poder ou passará de fato a servir ao bem-estar da instituição e de seus torcedores?
*Desabafo de Igor Ribeiro publicado, originalmente, em seu Linkedin pessoal
