CPI Manjada

Da FOLHA
Por JUCA KFOURI
A CPI das Apostas Esportivas não será a primeira, nem provavelmente a última, nascida para vender dificuldades em troca de facilidades.
Já houve uma dos Bingos, em 2006, que virou uma festa de achaques de políticos a bingueiros e vice-versa, com participações de bicheiros, lavadores de dinheiro e parlamentares farejadores de dinheiro fácil.
A CPI das Apostas nasce com a mesma marca, entre outras razões porque desnecessária devido ao bom trabalho que o Ministério Público de Goiás tem feito para desvendar e punir os esquemas de manipulação de resultados.
Achar um cidadão decente entre os lobistas da jogatina, os donos das bancas e os que prometem investigá-los é missão para Diógenes e sua lanterna sempre acesa durante o dia em Atenas, à procura de um homem avesso à ganância.
Como as bruxas, que os há, os há.
Encontrá-los no ambiente da CPI recém-instalada é que são elas.
Porque é mais uma fadada a dar em nada, a não ser para seus protagonistas, entre investigadores e investigados.
Melhor seria a CPI dos falsos pastores, ou, quem sabe, a dos impostores que falsificam o verdadeiro sentido da liberdade de expressão e encontram apoio em senadores como o vice-presidente da CPI das Apostas, “My name is Eduardo Girão”, o bolsonarista que presidiu o Fortaleza e que quer nos convencer de que investigará seus pares.
Romário, tão oportunista na política como era na área, será o relator.
