A quem Robinho pensa enganar?

Orlando Rollo e Robinho

Condenado a nove anos por estupro coletivo na Itália, Robinho, no próximo dia 20, após anos foragido – mas não escondido, terá o julgamento da possibilidade de cumprir a pena no Brasil finalizado pelo STJ – se nenhum Ministro solicitar ‘vistas’ do processo.

Tudo indica que o entendimento será pacificado, com possibilidade do mandado de prisão ocorrer ainda na mesma sessão.

Robinho, então, seria mais um morador de Tremembé – complexo penitenciário que acolhe crimes com grande exposição midiática, estupros e os cometidos por policiais.

Calado a tanto tempo sobre o assunto, o ex-atleta decidiu, a apenas três dias da reunião do STJ, se pronunciar.

E o fez da maneira mais cínica possível.

Acusou a vítima de tentativa de extorsão, distorceu o que áudios contendo seu deboche mostravam com extrema clareza, tratando ainda sua condenação como fruto de racismo.

Omitiu que um de seus parceiros de estupro é branco.

Falou também possuir provas de sua inocência, as mesmas que não apresentou no julgamento italiano, nem na entrevistas de ontem.

Em vez de pedir desculpas para as mulheres pelo ato cometido, o fez alegando que estas foram induzidas, pela mídia, a acreditarem que ele era criminoso.

A quem Robinho pensa enganar?

Sua entrevista serviu para ratificar a necessidade de prisão de um estuprador que, mesmo após flagrado em barbaridade, tirou sarro da vítima e parece incapaz, como demonstrado ontem, de arrependimento.

Talvez os anos sob calor escaldante ou frio congelante de Tremembé, envolto em obrigações que o Sistema lhe imporá, sirvam para, em meio à dor, restabelecer-lhe a humanidade.

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