Somente 33 conselheiros defenderam o Palmeiras diante do golpe que favoreceu Leila Pereira

(Publicado, originalmente, em 12 de setembro de 2022; republicado para relembrar quem, de fato, não anuiu com a imoralidade praticada há seis anos)
Em 06 de março de 2017, cinco impugnações à candidatura de Leila Pereira ao cargo de conselheira foram votadas em reunião extraordinária do Conselho Deliberativo do Palmeiras.
As reclamações davam conta de que Madame não possuía o tempo necessário como associada do clube.
Leila apresentava, como única ‘comprovação’ de conformidade, uma carta assinada pelo ex-presidente Mustafá Contursi.
O nome de Madame não constava no Sistema informatizado alviverde.
Não havia qualquer outro registro (documento, fotografias, testemunhas) que comprovasse a ligação com o Palmeiras.
Surgiram depois evidências de que Mustafá Contursi teria negociado o aval em troca de vantagens financeiras (documentos ao final do texto).
Apesar do clima de golpe, somente 33 conselheiros, dos 228 presentes à reunião, defenderam o Palmeiras.
Votaram a favor da impugnação:
- Alexandre Zanotta
- Angelo Baruzzi Neto
- Antonio Carlos Blanes
- Augusto Volta D’Alessio
- Aurélio Davanço
- Cleidson Diniz Teixeira
- Clemente Pereira Júnior
- Clovis Panfilio Alexandre D’Alessio
- Domingos Antonio Ciarlariello
- Fabiano Carrieri
- Francisco Assunção Vituzzo
- Genaro Marino Neto
- Gilberto Cipullo
- Guilherme Gomes Pereira
- Gustavo Gomes Pereira
- José Antonio do Rosário
- José Antonio Apparecido Junior
- José Carlos Tomaselli
- José Corsini Filho
- José Luiz Portella Pereira
- José Mariano Barrella
- José Reginaldo Nazello de Alvarenga Tripoli
- Leandro Nobrega Bafume
- Luis Henrique Monteiro Fronterotta
- Marcelo Butenas
- Marcio Wilson Severini D´Andrea
- Norberto Mauricio Liotti
- Ricardo Alberto Galassi
- Roberto Fleury de Souza Bertagni
- Rodrigo Barros de Miranda
- Sylvio Toshiro Mukai
- Tiago Ferracini, Victor Fruges e
- Wladimir Tomanik
Os demais são responsáveis, cada qual por razões distintas, pelo Palmeiras ser comandado por uma Presidente que, além da pouca familiaridade com o futebol, está sendo investigada por lavagem de dinheiro, ocultação de patrimônio e sonegação de impostos.
Detalhes, amplamente documentados, podem ser conferidos no link a seguir:
Na mesma reunião, nos mesmos termos, foi indeferida a impugnação de José Roberto Lamacchia, marido de Leila, que também está enrolado na Justiça sob risco de perder a propriedade da FAM (Faculdade das Américas), que teria sido adquirida, segundo sentença judicial – confirmada em 3ª Instância (STJ), mediante fraude.
Abaixo, matéria que trata sobre o assunto:

CRONOLOGIA DO GOLPE QUE BENEFICIOU LEILA PEREIRA NO PALMEIRAS
No final de 2014, José Roberto Lamacchia e Leila Pereira sondaram cartolas do Palmeiras sobre a possibilidade de patrocinarem o clube.
Segundo fontes, em troca, a dupla queria ‘apoio’ para participar da vida política alviverde.
Em janeiro de 2015, o contrato de patrocínio foi assinado, com valores muito acima do avaliado pelo mercado, incluindo duas empresas geridas pelo casal: Crefisa e FAM.
Desde então, além de patrocinadora, a Crefisa tornou-se credora do Palmeiras, mediante empréstimos que, há tempos, apesar de vários abatimentos, se mantém em saldo próximo dos R$ 100 milhões.
Somente seis meses após a assinatura do acordo, em 16 de julho de 2015, o casal, efetivamente, associou-se ao Verdão, através da aquisição de título familiar (único registrado em nome deles na Secretaria do clube).
22 de fevereiro de 2016: Leila e Lamacchia receberam documento (protocolado dia 23) dando conta de que, no período da gestão Mustafá Contursi (19 de novembro de 1996), teriam se associado ao clube.
O ex-presidente – que assinou o papel, alega ‘erro de processamento’ para ausência de dados no sistema, embora não se tenha notícia de outro equívoco semelhante com os demais associados.
Por conta deste aval, o Palmeiras modificou a condição cadastral de ambos.
14 de dezembro de 2016: amparado em parecer do departamento jurídico, o então presidente Paulo Nobre revogou a alteração, voltando Leila e Lamacchia a figurarem como sócios recentes do Palmeiras.
23 de dezembro de 2016: eleito presidente, Maurício Galliote revogou a ‘revogação’ e o casal passou a ostentar a data de associação não comprovada.
No dia 06 de março de 2017, com a oposição de apenas 33 entre 228 conselheiros, o golpe foi consumado com a aceitação, pelo Conselho Deliberativo, das argumentações de Mustafá, Leila e Lamacchia.
Pouco menos de dois meses após, às 10h59 do dia 04 de maio de 2017, como se recompensado pela ajuda, Mustafá enviou os dados bancários do ‘Sindicato do Futebol’ – do qual é presidente há anos – para o endereço de email de Leila Pereira:

Aproximadamente duas horas depois, precisamente às 13h12, Leila respondeu, confirmando a realização da ‘doação’, não do empréstimo, como justificou (após flagrado) o casal ao ser confrontado, posteriormente, sobre o assunto:
“Boa tarde Mustafá. Vamos fazer a doação de R$ 430 mil para o Sindicato”
“Até segunda-feira o valor estará na conta do Sindicato”
“Assim que fizer o depósito te aviso”
“Abs. Leila M. Pereira”

A transferência deu entrada na conta do Sindicato no dia seguinte, às 14h41:

Mustafá pagou, inclusive, em nome do Sindicato, o ITCMD (Imposto sobre Doações), no valor de R$ 22.016,00, indicando na GARE o nome de José Roberto Lamacchia na condição de doador.

Qualquer versão diferente contrapõe-se aos fatos e documentos apresentados.
O pano de fundo, evidentemente, é a disputa de poder no Palmeiras.
Documento em que Mustafá afirma-se ‘testemunha’ da associação de Leila e Lamacchia ao Palmeiras:

Documento interno do clube com a data real de cadastro de Leila Pereira, em 16/07/2015, com as posteriores modificações discriminadas:

Documento em que Maurício Galliote agradece ao apoio de Leila Pereira restabelecendo, em contrariedade a parecer jurídico do próprio clube, sua condição de associada ‘antiga’ do Palmeiras:

