Bolsonaro, Tarcísio e a falência da Itapemirim

A Justiça de São Paulo decretou, na última semana, a falência da empresa de aviação ‘Ita’, administrada pelo grupo Itapemirim, famoso pela atuação no transporte rodoviário.

Com seis meses de operação, facilitados pela flexibilização de exigências após negociação com o Governo Bolsonaro – que, para ajudar a companhia, alegou a existência de excesso de burocracia -, a Ita deixa um legado de centenas de pendências trabalhistas, fiscais, além de calotes em credores particulares.

As falcatruas eram escancaradas.

Em dezembro de 2021, por exemplo, a Ita negociou parcelamento de salários com funcionários; na mesma semana, Sidnei Piva, dono da empresa, comprou, por R$ 12 milhões, um imóvel no litoral de São Paulo, gastando mais R$ 5 milhões na reforma.

O valor, de R$ 17 milhões, aproxima-se do ‘lucro’ obtido com a venda antecipada de 40 mil passagens aéreas, canceladas, à época, sem prévio aviso.

Em conta rápida, tomando por média R$ 500 por passagem, a arrecadação foi de R$ 20 milhões.

Enquanto a ITA embolsava sem prestar nenhum serviço, os passageiros ficaram na mão, dormindo em aeroportos, sem os voos contratados nem assistência da empresa, que simplesmente sumiu do atendimento ao cliente.

Confirmada a falência, se faz necessário saber quem, além dos proprietários, teria lucrado com as espertezas.

Bolsonaro e Tarcísio de Freitas, que não são comercialmente idiotas, antes da formação do furacão participaram, numa das ‘lives’ presidenciais, de estranho ‘merchan’ da empresa, com direito a figuração de Marcos Pontes.

Teria sido espontâneo?

Por óbvio, seguidores dessa gente foram estimulados a trocar de empresa de aviação e, muitos deles, estão entre os prejudicados.

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