Corinthians leva calote de R$ 8,4 milhões da Sport Promotion, conhecida no submundo do futebol

Marcelo Campos Pinto (Globo), Andres Sanches e Ricardo Teixeira

Em 18 de junho de 2018, por intermediação de Marcelo Campos Pinto, ex-executivo da Rede Globo investigado pelo ‘FIFAGATE’, o Corinthians, administrado pelo presidente Andres Sanches, com testemunho de Caio Campos, funcionário de Luis Paulo Rosenberg, assinou contrato com a Sport Promotion, empresa amplamente conhecida no submundo do futebol.

O cartola alvinegro mantém relações com o ex-global desde os tempos em esteve na CBF, durante a gestão Ricardo Teixeira, que não pode sair do país na condição de procurado pelo FBI.

“Tutti buona gente”, diria Dom Corleone, em ‘O Poderoso Chefão’.

Entre as ‘famas’ da Sport Promotion está a de fraudar licitações e transferir dinheiro, nem sempre devido, a dirigentes.

Em 2015, o Blog do Paulinho, do qual Sanches é leitor diário, já demonstrava obscuridades da empresa:

Investigação do FBI gera temor na Rede Globo e no executivo Marcelo Campos Pinto – Blog do Paulinho

Quatro anos após, publicamos novas suspeitas:

FOLHA desmascara concorrência viciada da CBF em favor do Sport Promotion. Conheça mais sobre a empresa – Blog do Paulinho

Jose Francisco Coelho Leal (Quico), dono da Sport Promotion

Sanches, apesar desse histórico da Sport Promotion, ou, talvez, por conta dele, cedeu à empresa, com exclusividade, os direitos comerciais de todos os jogos do Corinthians, como mandante, pelo Campeonato Brasileiro.

100% disputados na Arena de Itaquera.

O acordo valeu para os campeonatos de 2019, 2020, 2021 e 2022.

A inserção de um intermediário, sem concorrência, para negócios que poderiam ser fechados diretamente pelo Corinthians, que possui departamentos de marketing e comercial ativos, por si, é suspeita.

A Sport Promotion passou a ter os seguintes direitos:

  • comercialização de publicidade estática (placas, prismas, tapetes publimetas, painel eletrônico e infláveis);
  • Tour pré-pago com 10 convidados antes das partidas; além de dois convidados para participarem das entrevistas coletivas;
  • 40 camisas oficiais do Corinthians por temporada;
  • 100 ingressos grátis para cada partida em Itaquera, além de desconto na compra de outros 200.

Durante a vigência do contrato, o Corinthians disputou 134 jogos na Arena.

Levando-se em consideração que a ‘parceira’ do clube tinha direito a 100 ingressos por partida, que avaliaremos como de camarote (porque não eram, por óbvio, nos setores mais pobres do estádio), a R$ 500 cada, chegaremos ao faturamento de R$ 50 mil, além doutros R$ 50 mil nas outras 200 entradas, às quais aplicaremos, em simulação, 50% de desconto.

Entre as cláusulas contratuais, havia a exigência de não contratar anunciantes que conflitassem com os da Rede Globo; a emissora, ligada a Campos Pinto, manteve também a preferência para inserção de propagandas nas placas da Sport Promotion.

Outra clausula interessante é a de nº 1.8:

“(…) caso algum patrocinador do projeto se interesse em se tornar patrocinador oficial do Corinthians, a Sport Promotion atuará como representante do Corinthians na negociação e terá direito a 5% do valor bruto da venda”.

A Sport Promotion, se não era, parecia ser a ‘operadora’ de valores do Presidente do Corinthians no departamento de marketing, espécie de gestora extra-oficial de espertezas.

Segundo as cláusulas 3.1 e 3.2, a empresa garantia ao Corinthians faturamento anual de R$ 12 milhões (R$ 1 milhão ao mês) com a venda das publicidades.

Até R$ 15 milhões anuais comercializados em publicidade estática, a comissão da Sport Promotion seria de 20%; se ultrapassasse esta quantia, a intermediação subiria para escandalosos 40%.

Apesar das facilidades, a partir de 2020, a Sport Promotion iniciou o procedimento de calote ao Corinthians.

Em janeiro e fevereiro pagaram as obrigações com atraso; de março a agosto, nenhum centavo entrou nos caixas do clube.

Por conta disto, em agosto de 2020, Sanches assinou aditamento contratual com a Sport Promotion, em que a empresa reconhecia a dívida – a vencida e a que estava por ser paga (entre setembro de dezembro de 2020) – no valor de R$ 8 milhões, estabelecendo parcelamento em nove vezes para a pendência, além da necessidade de honrar as obrigações futuras.

Após novos calotes, foi a vez do novo presidente, Duílio ‘do Bingo’ Monteiro Alves, assinar, em 09 de setembro de 2021 (no documento, erroneamente, está grafado ‘2020’), outra confissão da empresa, desta feita como devedora de R$ 11,4 milhões.

Até que, em 20 de julho de 2022, ainda com a Sport Promotion devendo R$ 8,4 milhões, o Corinthians notificou a empresa para rescisão contratual.

Não há transparência sobre, apesar da pendência, quanto, em percentuais, foi embolsado pela empresa, e se, na conta, estariam incluídas as cortesias.

Outra obscuridade é saber se, e quais, patrocínios renderam – fora deste contrato, os 5% de remuneração acertados com a ‘parceira’.

É pouco provável, porém, que os cartolas tenham se submetido a algum prejuízo.

Ao se alinhar com a Sport Promotion, absolutamente conhecida no submundo da bola, Andres Sanches sabia exatamente com quem lidava, o que sugere suspeitas diversas sobre as motivações do negócio.

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