Exemplar a entrevista do presidente do Santos

Andres Rueda, presidente do Santos, em entrevista à FOLHA, bateu o pé para justificar a gestão de austeridade financeira que, garante, manterá no clube até o final do mandato – que, apesar das pressões, afirmou que cumprirá.
Disse estar eliminado as pendências do Peixe, apesar – e ele lista alguns exemplos – de heranças terríveis recebidas dos antecessores.
“Nós temos R$ 900 mil em caixa. Indica um jogador de qualidade para a gente contratar por esse valor”, revelou ao explicar as razões de manutenção de uma equipe nitidamente modesta.
Rueda, como fazem a maioria dos dirigentes, poderia, para fins pessoais, contratar quem quisesse com parcelas a perder de vista que, provavelmente, não seriam honradas, deixando as dívidas para o sucessor.
Preferiu estancar a sangria e jogar o futebol nas mãos de Paulo Roberto Falcão, conhecido pela honestidade.
Procedimentos raros, que deveriam ser exaltados.
O Santos estava na UTI e precisava de medidas drásticas – que foram tomadas – para sobreviver, ainda que a custo esportivo expressivo, que é a impossibilidade de disputa de títulos.
Passada a emergência começará a recuperação.
Como se comportará o próximo presidente?
De maneira responsável para retomada, gradativa, do protagonismo ou jogando fora todo o sofrimento recente, retornando o Santos à situação pré-falimentar de outrora?
Há diversos aspectos criticáveis na gestão de Rueda – como manter jogadores ligados a Neymar nas categorias de base – , mas parece óbvio, pelo menos até onde se sabe – porque no submundo da bola as surpresas acontecem -, que entre erros e acertos, a rara boa fé seria o alicerce de suas tomadas de decisões.
