Os Ministérios do novo Governo

O Presidente Lula empossou, ontem, todos os 37 Ministros do novo Governo que, há algumas horas, administra.

Evidentemente, nem todos os nomes são do seu agrado.

Numa frente ampla, como a proposta em campanha, concessões são necessárias.

A pior delas foi a escolha de Juscelino Filho, ligado ao que há de mais execrável na política, para as Comunicações.

Ao que parece, tratou-se de jogada, arriscada, para garantir o voto do União Brasil em pautas urgentes, para depois descartá-lo à primeira oportunidade.

Tomara não demore mais do que o tolerável.

Em contraponto, muitos foram os acertos, alguns deles históricos.

Fernando Haddad, na Economia, é a certeza de que os desejos do Presidente, e de boa parte de seus eleitores, estarão representados, sem grandes divergências.

Nisia Trindade, na Saúde, após o que se viu no Governo anterior, é sair da pré-história para a era digital.

Espera-se, porém, que a Ministra não apenas reconstrua o que foi destruído, mas avance na produção de vacinas além da necessidade do fornecimento nacional, proporcionando exportações que impactarão, num futuro próximo, positivamente nas contas públicas.

Dinheiro para Ciência e às demais necessidades da população.

Na Cultura, Margareth Menezes será a esperança de luz para uma geração que durante quatro anos foi exposta às trevas da ignorância.

Tebet, no planejamento, é a justiça sendo feita pela participação ativa, e decisiva, durante a retomada da Democracia, tomara com pensamento no Brasil antes da sucessão presidencial, à qual, inevitavelmente, retornará com protagonismo.

Silvio Almeida nos Direitos Humanos é a certeza de que estes, finalmente, serão respeitados.

O Meio Ambiente se confunde com o nome de Marina Silva, escolha aplaudida mundialmente.

Paulo Teixeira assume o Desenvolvimento Agrário, mas poucos acreditam que não terminará o ciclo nas Comunicações, após a exoneração, previsível, do abjeto empossado.

Ana Moser, sem rabo preso com cartolas, nem com políticos, é tudo o que o Esporte sempre desejou e, somente agora, conquistou.

Tomara tenha respaldo compatível com sua integridade, competência e coragem.

Anielle Franco, na Igualdade Racial, tem a dura missão de combater a cultura racista de boa parte de um povo que discursa o que não pratica; que Mariele, tão gigante quanto, lhe inspire.

A relação com Lula fez de Geraldo Alckmin um político melhor, mais equilibrado entre os mundos de quem detém o capital e dos que dele necessitam para comprar um prato de comida.

Nesse contexto, amparado na lealdade – rara na política – que demonstrou na construção desta Frente Ampla, seu Ministério da Industria e Comercio tende a ser histórico.

Por fim, destaco o emocionante Ministério dos Povos Indígenas, nas mãos da corajosa Sônia Guajajara.

Trata-se do início, efetivo, de combate ao Genocídio continuado, que persiste até os dias atuais, com as vítimas, pela primeira vez na história, com o poder de Estado em suas mãos.

Tarefa árdua, com muitos séculos de atraso.

Hão de conseguir, por justiça e para o bem de todo o Planeta.

Os demais Ministros, que consideramos desnecessário destacar, circulam entre provavelmente corretos, boas apostas, incógnitas e, poucos, preocupantes.

O tempo tratará de defini-os da maneira mais adequada.

Dentre certezas, a maior delas é a de que, inquestionavelmente, saímos da barbárie à civilização, o que, convenhamos, não é pouca coisa.

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