Ana Moser não terá vida fácil no Ministério do Esporte

A provável escolha de Ana Moser para o Ministério do Esporte, se confirmada, estará, sem dúvida, entre os principais acertos do Governo Lula, que, apesar de parecer no poder há dois meses, tomará posse apenas em 01º de janeiro.

Mas ela não terá vida fácil.

É desnecessário discorrer sobre a reconhecida capacidade da ex-jogadora de vôlei e, principalmente, sua HONESTIDADE, tantos são os exemplos de uma vida incansável de luta pelo esporte.

Qualidades raras na vida pública, incluindo vários nomes que circularam pela pasta em governos anteriores.

Desde antes da escolha de seu nome – que gerou narizes torcidos entre os que sonhavam com cargos – para si ou a parceiros, até o posterior trato com a cartolagem, composta por gente acostumada a resolver problemas no indecente abrir e fechar de gavetas, Moser esteve e permanecerá em campo minado.

CBF, COB, Cândidos, Sanches e tantos outros – alguns, como o cartola alvinegro, do próprio PT (os piores quadros do partido estão no Esporte) – trabalharão para prejudicá-la.

Para enfrentar esses grupos, a provável Ministra terá que criar em torno de si uma espécie de ‘Exército de Brancaleone’, formado por quem tenha mais ambições de Estado do que financeiras, além da coragem necessária ao enfrentamento de pressões que, não se iluda, sofrerá.

Até mesmo Lula, vez por outra, precisará ser orientado, porque em governos anteriores deu abertura para quem não deveria e, provavelmente, será procurado para servir de ouvido das reclamações sobre decisões do Ministério.

Se no alto rendimento os desafios são claros – e difíceis, na política pública – que serve a grande maioria da população, o embate com representantes de Prefeitos e Governadores, por conta de hábitos que infestam este país há mais de 500 anos, deverá, em determinados casos, ser tortuoso.

Mas Moser, acostumada a lidar com essa gente sem nunca ter sujado a biografia, haverá de saber se virar, porém, ainda assim, precisará, não apenas da coesão de sua equipe, mas do apoio firme de todo o Governo.

Em regra, os pilantras costumam, até por reconhecida esperteza, não ousarem diante dos opostos.

O problema é que sempre existe o risco de infiltrados que se alinhem à sujeira, razão pela qual os olhos, e o olfato, da Ministra, deverão estar sempre atentos.

Após décadas de gestões, quando não ineficientes, corruptas, o Esporte vê a luz no fim do túnel, com esperanças de avanços na reeducação de Estados e Municípios para que possam fornecer ao povo, com mais democracia, as possibilidades da prática esportiva, além da certeza de que, para serem atendidos a contento, os cartolas, no mínimo, terão que se comportar um pouco melhor.

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