Promiscuidade não é problema para o compliance do Corinthians

Na última partida do Corinthians no Campeonato Brasileiro chamou a atenção a marca da empresa que figurava em lugar de destaque na camisa do clube, a ‘Cross Fox’, especializada em materiais elétricos.
O proprietário, desde 2017, é o conselheiro alvinegro Halison Gris Peres, do grupo ‘Liberdade Corinthiana’, chefiado pelo diretor jurídico Herói Vicente.
A discussão nem é se o comportamento pode ser acolhido ou não pela legalidade – há controvérsias sobre se o estatuto do Timão permite a prática -, mas a evidente promiscuidade, principalmente política, do negócio.
Halison, na condição de conselheiro, é fiscal das contas da diretoria com quem assinou contrato, que, assim como os demais, deveria, em tese, ser objeto de verificação.
Tristes, mas reveladoras, as manifestações de apoio, presenciais e pela internet, de membros do ‘Liberdade Corinthiana’ que, fosse nos meses em que estavam na posição, comeriam o fígado do presidente de plantão.
Pior ainda, porque, em tese, distante da política alvinegra, é a desmoralização absoluta do escritório que realiza o compliance do Corinthians, que, se sério, deveria rechaçar esse tipo de aproximação.
Engolem o sapo porque eles próprios, de início, se viram envoltos em promiscuidade.
Um dos sócios do ‘Gelson Ferrareze Sociedade de Advogados’ foi cliente de Herói Vicente, beneficiário óbvio, politicamente, do acerto entre o clube em que ocupa cargo de direção com membro do grupo que ajuda a financiar.




