Lula e o avião do empresário

Errou o presidente Lula ao aceitar carona para o Egito no avião do empresário conhecido como ‘Junior da Qualicorp’.

Trata-se de evitar problemas futuros.

É sabido que Lula mantém amigos nos diversos setores da sociedade e, nesse contexto, não vê problemas em agir como pessoa comum, seja unindo-se a eles em eventos privados ou, como é o caso, aceitando auxílio para se deslocar à Europa.

Foi assim, porém, que se meteu em problemas ao pedir a opinião de Léo Pinheiro sobre um imóvel em São Bernardo.

Não era corrupção, como ficou comprovado, mas serviu de combustível à narrativa golpista da Lava-Jato e à formação de opinião de boa parte da população, resultando na aversão de diversos setores ao PT.

Muita gente, de boa-fé, foi enganada.

Lula, até pelo que passou nesse interim – entre a maldade que lhe foi imposta e as recentes eleições, deveria ser mais cauteloso.

Imagine, em hipótese, porque nenhum Governo é capaz de terminar o ciclo de mandato sem que haja um servidor, ao menos, ainda que seja de baixa extirpe, metido em corrupção – que algum de seus colaboradores, por conta própria, aceite vantagens para facilitar a vida da Qualicorp.

Basta este fósforo riscado para que se crie a narrativa de que ‘tudo foi acertado no voo para o Egito’.

Eis o ponto.

Assim como a mulher de Cesar, mais do que comprovar a honestidade, e o Presidente já o fez em mais de duas dezenas de processos, Lula, que será fiscalizado sob lupa até o fim da vida, precisa evidenciar, permanentemente, essa condição, sob risco de, desnecessariamente, ocasionar dificuldades a um Governo que tem o desafio de salvar o país da ‘terra arrasada’ e impedir o retorno, através de seu sucesso, do bolsonarismo.

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