A homenagem de Suplicy para Eder Jofre

No último dia 04, em meio à 116ª Sessão Ordinária da Câmara de São Paulo, Eduardo Suplicy, eleito Deputado Estadual nestas eleições, homenageou Eder Jofre, mais relevante boxeador brasileiro de todos os tempos:

“Querido Presidente Atílio Francisco, no dia das eleições, tão importantes para o Brasil, infelizmente perdemos esse extraordinário representante que tanto honrou o Brasil, querido Éder Jofre, o maior campeão de boxe de toda nossa história”

“Éder Jofre, nasceu em São Paulo, em 26 de março de 1936, em Embu das Artes e faleceu em 2 de outubro de 2022, foi um pugilista brasileiro. Conhecido pela alcunha “Galo de Ouro”, concedida pelo escritor Benedito Ruy Barbosa, foi tricampeão mundial de boxe, campeão peso-pena pelo Conselho Mundial de Boxe (WBC) e campeão do peso-galo pelo Conselho Mundial de Boxe (WBC) e pela NBA (National Boxing Association), posterior Associação Mundial de Boxe (WBA)”

“Lutava, quando amador, sob as cores do São Paulo Futebol Clube”

“Introduzido ao ‘Hall da Fama’ do boxe, localizado na cidade de Canastota, Estados Unidos, em 1992, foi considerado, por especialistas de boxe do mundo inteiro na revista especializada em boxe The Ring como o ‘melhor pugilista da década de 1960’, à frente de Muhammad Ali, que ficou na segunda colocação”

“Além disso, em 2002 ele foi ranqueado na nona posição entre os ‘melhores pugilistas dos últimos cinquenta anos’ novamente pela revista norte-americana The Ring, e considerado por especialistas como o maior peso-galo do boxe na era contemporânea”

“Converteu-se ao vegetarianismo em 1956, depois de uma leitura que indicava que a carne era prejudicial ao organismo humano, conforme declarou no documentário A Carne é Fraca, produzido pelo Instituto Nina Rosa”

“Nasceu no centro de São Paulo, na rua do Seminário, e posteriormente se mudou para o bairro paulistano do Peruche, localizado na zona norte. Sua família era de boxeadores, pois seu pai, o argentino José Aristides Jofre, conhecido como ‘Kid Jofre’, já havia sido um respeitável pugilista, passando assim os ensinamentos para o filho, que logo aprendeu a ‘amar a nobre arte’, apesar de sua primeira opção profissional ter sido pelo desenho arquitetônico, curso que realizava em sua adolescência”

“Em virtude do desabamento do teto do Liceu de Artes e Ofícios, perdeu o material didático e por não ter recursos para adquirir um novo, desistiu do sonho de desenhista”

“Só para ilustrar, adorava fazer desenhos de seus super-heróis favoritos, como Capitão Marvel, Super Homem e Capitão América”

“Em 1953, subiu pela primeira vez nos ringues como amador, no torneio ‘Forja de Campeões’, patrocinado pelo jornal A Gazeta Esportiva”

“Ainda na condição de amador, disputou os Jogos Olímpicos de 1956 em Melbourne, Austrália. Chegou aos jogos como um dos favoritos, já que estava invicto como amador até então, mas devido à organização brasileira, que o fez treinar com um lutador bem maior e cuja consequência foi a quebra de seu nariz, fez com que ele lutasse sem muitas condições, tendo que respirar pela boca, culminando na derrota, em sua segunda luta na competição, por decisão dos jurados para o chileno Claudio Barrientos que após tornar-se profissional voltou novamente a lutar contra Eder e foi derrotado sendo ‘vítima’ de 8 knock downs”

“Profissionalmente, começou em 1957 na categoria ‘peso-galo’. No ano seguinte, era já um campeão brasileiro em sua categoria. Em 1960, contra o argentino Ernesto Miranda, conquistou o título sul-americano dos ‘galos’, começando assim, a escrever o seu nome na história do boxe mundial”

“Em 1961, muda-se para os Estados Unidos e torna-se campeão mundial pela National Boxing Association, a mesma que se tornou a Associação Mundial de Boxe (WBA) em 1962, vencendo, por nocaute, o mexicano Eloy Sanchez no Olympic Auditorium”

“Um ano depois, unificou os títulos da categoria ‘peso galo’, vencendo o irlandês Johnny Caldwell, campeão da versão europeia”

“Eder conseguiu manter o seu título mundial até 1965, ganhando todas as lutas por nocaute. Naquele ano, em um resultado contestado, foi derrotado pelo japonês Fighting Harada”

“Em 1966, na revanche, outra derrota em um resultado controverso, culminando em enorme desilusão”

“Em 1970, após três anos de sua ‘aposentadoria’, onde fazia várias exibições pelo Brasil afora, em um circo de sua tia Olga Zumbano voltou aos ringues lutando na categoria ‘peso pena’”

“Foram 25 vitórias, sendo uma delas em cima do gigante cubano, naturalizado espanhol, José Legra que lhe valeu o título mundial do Conselho Mundial de Boxe (W.B.C.), em uma categoria superior à que ele começou; isso aconteceu em 5 de maio de 1973”

“Durante a luta seu pai passou mal e foi internado”

“Fez uma única defesa do título dos penas contra um dos maiores pugilistas mexicano, Vicente Saldivar, e o derrotou por nocaute no 4º round mantendo seu cinturão”

“Em 1974, seu pai e treinador, Kid Jofre, morreu devido a um câncer no pulmão, e em 1976, devido à morte do irmão Dagoberto, aposenta-se do boxe profissional”

“Mesmo após ter se aposentado do esporte, continuou a disputar lutas em forma de exibições, uma delas realizada no Ginásio do Ibirapuera, que é considerado uma das mais notáveis contra Servílio de Oliveira, o primeiro medalhista Olímpico do Boxe brasileiro em 1968, transmitida pela Rede Record de televisão”

“Também foi professor de boxe em uma famosa academia paulistana, treinando modelos, atores, empresários”

“Como político, foi eleito vereador de São Paulo pelo PDS, em 1982. Em 1989, filiou-se ao PSDB (…)”. Aí é que nós nos cruzamos mais uma vez”

“Sr. Presidente, gostaria de contar que aos quinze anos de idade, certo dia, eu estava caminhando a pé pela Avenida Paulista, voltando do Colégio São Luís para minha residência, na Alameda Casa Branca, e eis que, ao passar no Colégio Paes Leme, havia um grupo de estudantes”

“Um deles virou para mim e falou: “O que você está aí olhando feio?” e avançou sobre mim. Rolamos no chão, e cheguei em casa cheio de sangue no corpo”

“Meu irmão Paulo até perguntou: “Mas o que aconteceu?”. “Ah, me pegaram na esquina da Paulista com a Augusta”. Aí, fiquei pensando. Eu era um bom esportista, mas perguntei a um cunhado meu, Aguinaldo de Araújo Góes: “Por acaso você conhece um professor de boxe? Porque quero aprender”. Ele me apresentou Lúcio Inácio da Cruz, campeão brasileiro de boxe amador, que era um ótimo treinador e que passou a me dar aulas de boxe”

“No porão da minha casa, montei uma academia com punching ball, um saco de areia, um lugar para pular cordas, fazer luvas; e juntava seis, sete, oito, dez amigos para treinar boxe”

“Quando cheguei aos 21 anos, meu treinador falou: “Eduardo, você está lutando muito bem. Que tal você fazer o campeonato da Forja de Campeões da Gazeta Esportiva de Estreantes?””

“Eu resolvi fazer e, durante os meus treinamentos, eu percorria as diversas academias de boxe. Fiz luvas com Abraão de Souza, na Guarani. Fiz luvas com Fernando Barreto, no Palmeiras; e fui ao São Paulo Futebol Clube, onde eu fiz luvas com Éder Jofre”

“E depois, quando chegou 1989, eu tive então 201 mil votos na eleição em que a Sra. Luiza Erundina foi eleita Prefeita, quando havia quinze Vereadores do PT, dois do PC do B, um do PCB e mais alguns do PSB”

“E falei para o Éder Jofre, que era meu amigo: “Você pode me eleger também Presidente?” E ele me elegeu. Eu me tornei Presidente desta Câmara Municipal, com o voto de Éder Jofre, e nós continuamos a ser muitos amigos”

“Certo dia, como professor da Escola de Administração de Empresas de São Paulo, da Fundação Getúlio Vargas, convidei Éder Jofre para dar uma aula, uma conversa com os meus alunos; e eu tenho uma ótima foto, que eu coloquei no meu Facebook, de nós dois fazendo a luva, perante os meus alunos”

“Eu quero transmitir que ontem estive lá no velório. Cumprimentei os seus filhos, filho e filha, neta e todos os amigos do pugilismo e todos os amigos de Éder Jofre, esse extraordinário brasileiro que tanto honrou o esporte, o pugilismo brasileiro, o maior campeão mundial de boxe da nossa história”

“Aqui presto a devida homenagem e eu agradeço muito, Sr. Presidente, por ter me permitido fazer essa homenagem, que eu considero muito merecida ao querido Éder Jofre”

“Obrigado.”

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