Mulheres são tratadas com desdém no Corinthians

Inserido num ambiente, salvo raras e conhecidas exceções, de tolerância com a marginalidade, em que notórios bandidos, desde que sejam homens, circulam nos postos mais relevantes, o Corinthians, em suas entranhas, é absolutamente preconceituoso, principalmente com as mulheres.

Prática que destoa do discurso público de acolhimento a todas as tribos.

Marlene Matheus, por exemplo, somente ocupou a presidência na condição de preposta do marido.

Nunca foi tratada com o respeito devido.

Pelo contrário.

Muitas vezes, o desdém era notório.

Há um clima, no Corinthians, fomentado pelos que são beneficiados pelo preconceito, de colar nas mulheres as famas de incompetentes, fracas, burras, incapazes de compreender futebol, etc.

Para acobertar a manobra, vez por outra, a elas é concedido espaço desimportante, embora com nomenclatura pomposa.

O clube teve uma vice-presidente, que, por inerência do cargo, tem poder de coisa alguma, ao qual, para disfarçar, eram repassadas responsabilidade de pouca relevância, como cuidar do departamento de esportes radicais.

Enquanto isso, bicheiro sem cargo mandava no futebol amador e réu por acusação de estelionato (teria surrupiado a própria empresa) ‘divertia-se’ no departamento profissional.

Como modificar esse quadro?

As mulheres, principalmente as inseridas no Conselho, ainda que em menor número, precisariam se agrupar e passar a impor suas agendas.

O silêncio em momentos importantes sugere concordância com a atual estado das coisas.

É preciso deixar de lado o comportamento de ‘auxiliares’ políticas dos de sempre para tonarem-se alternativas de mudança do que, há anos, não funciona bem.

O que mulheres, para destacar as mais ativas, como Analu Tomé, Suzy Miranda, Miriam Athiê, Edna Murad, Maria Tereza do Amaral e Cristiane Gambaré, entre outras, concorde-se ou não com o que pensam, ficam a dever, por exemplo, aos ex-presidentes recentes do Corinthians?

Suas gestões seriam piores?

Andres Sanches, Roberto Andrade, Mario Gobbi e Duílio’ do Bingo’; quem deles é, reconhecidamente, competente, para não fazer outras comparações mais duras?

Quem delas seriam inferiores aos que se apresentam, para as próximas eleições, na condição de presidenciáveis?

Augusto Melo? André Negão? Romeu Tuma? Heroi Vicente?

Não se trata de feminismo, mas de constatação da realidade.

Ainda que no meio destes – candidatos legítimos, se confirmados -, seria muito importante que mulheres se colocassem em condições semelhantes, não, como ocorre atualmente, em autoimposta submissão a um sistema que lhes imputa indevida inferioridade.

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