Candidato a vice-governador do Rio de Janeiro, alvo da PF, é parceiro de ex-presidente do Corinthians

Ontem, a Polícia Federal deflagrou a ‘Operação Anáfora’, que investiga favorecimento na contratação de cooperativa de trabalho pelo município de Duque de Caxias, por valores que, somados o contrato e seus aditivos, totalizam R$ 563,5 milhões em pouco mais de dois anos.
Washington Reis (MDB), ex-prefeito do Município, atual candidato a vice-governador do Rio de Janeiro na chapa de Claudio Castro (PL), foi um dos alvos.
Busca e apreensão em sua residência, além de documentos, encontraram fuzil de utilização restrita da Forças Armadas.
Reis é velho conhecido dos bastidores do Corinthians.

Desde 2015 (em meio à gestão Roberto Andrade), o político carioca e Andres Sanches, seu parceiro à época de parlamento, realizaram muitos negócios no Timão.
Boa parte deles, bem nebulosos.
O Blog do Paulinho relembrará os mais relevantes.

Duílio do Bingo, Andres Sanches, Mario Gobbi e Roberto Andrade
PATROCÍNIO COM A KLAR
No início de 2016, o Corinthians anunciou patrocínio com a desconhecida ‘KLAR’, que prometia, entre outras coisas, investimentos no departamento de futebol e até a aquisição dos ‘naming-rights’ do estádio de Itaquera.

Nada disso aconteceu.
Para justificar a parceria, o clube, em Nota Oficial, afirmou que a KLAR era gerida pela TABOR CHEMICALS, que seria uma das empresas de uma suposta “holding” denominada GLAIC.
A ligação entre o Timão e o ‘empresário’ se deu por conta da proximidade do Deputado Washington Reis (PMDB-RJ) com o ex-presidente alvinegro, Andres Sanches.
O nicaraguense seria o ‘laranja’.
Reis, assim como Sanches – ambos, à época, parlamentares -, estava envolto em diversas ações criminais (inclusive no STF), em que é acusado por lavagem de dinheiro, crimes ambientais, desvio de dinheiro público, etc.
Ambos, não por acaso, eram assessorados pela empresa TUDDO Comunicações (Sanches ainda é), de Oliverio Junior, responsável, também pela assessoria dos empresários Kia Joorabchian, Giuliano Bertolucci, Fernando Garcia, além da equipe do Tigres (ligada a KLAR).

A anunciada holding GLAIC inexistia, porém, em qualquer registro, seja dos órgãos oficiais, como também nas buscas de internet.
ABAIXO, SUPOSTA SEDE DA KLAR, QUE TAMBÉM ERA DA TABOR, MAS ABRIGAVA A POLAND QUÍMICA, EM DUQUE DE CAXIAS-RJ

POLÍCIA FEDERAL CUMPRE MANDATO DE BUSCA E APREENSÃO NA CASA DE WASHINGTON REIS
Washington Reis convocado para depor como réu na Ação Penal 618 do STF
Carro de Washington Reis alvejado por tiros em Duque de Caxias-RJ
MATÉRIA EM QUE A PGR PEDIA 12 ANOS DE PRISÃO PARA O DEPUTADO WASHINGTON REIS (PMDB-RJ)

ROLOS NO FUTEBOL
Em 2015, o Corinthians assinou parceria do futebol (profissional e base) com o obscuro Tigres/RJ, clube ‘barriga de aluguel’ sob o domínio de Washington Reis, que já atuava em parceria com o ex-presidente alvinegro Andres Sanches.
Diversos são os relatos de promiscuidades.
Em maio de 2016, explodiu, neste Blog do Paulinho e também no UOL, escândalo envolvendo Fábio Barrozo – homem de Washington inserido no Corinthians – nas categorias de base, com envolvimento direto do conselheiro Manoel Ramos Evangelista, vulgo Mané da Carne, à época assessor parlamentar de Andres Sanches, de Eduardo ‘Gaguinho’ Ferreira, diretor de futebol profissional, e Onofre Almeida, gestor da garotada.

US$ 110 mil foi o valor apurado como um dos desvios: US$ 50 mil para fornecer uma carta ao agente Helmut Niki Apazae e US$ 60 mil por 20% dos direitos de Alysson.
Tudo indica, dinheiro que teria ingressado, efetivamente, nos bolsos dos dirigentes.
O assunto só veio à tona quando Apazae descobriu que a venda do percentual do jogador era fajuta, ato confirmado, posteriormente, pelo presidente Roberto Andrade.
Andres Sanches é protetor notório dos envolvidos no rolo.
Abaixo a esclarecedora sequência de conversas no whatsapp:







Em entrevista, concedida ao repórter Dassler Marques, do UOL, Helmut Niki Apaza chutou o balde, confirmando não apenas ter sido enganado pelo dirigente Fabio Barrozo e pelo conselheiro Mané da Carne, mas que as práticas denunciadas acontecem com frequência no Parque São Jorge.
“Isso que aconteceu comigo já tem acontecido há muito tempo no Corinthians. A diferença é que eu decidi não ficar calado”.
Dois outros fatos, contados pelo empresário, merecem destaque.
Primeiro a tentativa de intimidação por parte de Mané:
“Recebi uma mensagem do Mané que fala que eu não posso provar nada referente ao dinheiro que foi recebido por eles. Por que uma pessoa que fala que não recebeu se preocupa que eu não vou poder dar provas? A pessoa inocente falaria que eu nunca dei esse dinheiro”.
Depois o cuidado para evidenciar que o diretor de futebol, Eduardo “Gaguinho” Ferreira, apesar de não receber dinheiro diretamente do empresário, é absolutamente próximo dos que delinquiram:
“Não sei qual a participação do Edu Ferreira. Sei que ele é muito amigo de todos os envolvidos. Mas não paguei nada para ele”.
Edu ‘Gaguinho’ executou a operação mais relevante de todo o esquema (assinou, na condição de Diretor de Futebol Profissional, as autorizações com papel timbrado do clube).
Em Nota Oficial, o então Presidente do Corinthians, Roberto Andrade, declarou:
“A Presidência do Sport Club Corinthians Paulista informa que encaminhou, nesta terça-feira (03), à Comissão de Ética do Conselho Deliberativo todo o material levantado a respeito dos últimos acontecimentos envolvendo o Departamento de Formação de Atletas do Clube, a fim de que sejam apuradas as responsabilidades visando ao completo esclarecimento do assunto.”

Apesar das evidências, todos os envolvidos na tramoia fora ‘absolvidos’ pela Comissão, que é dominada pelo grupo que dirige o Timão há 15 anos.
Em meio ao furacão, Andres Sanches assegurou o emprego de Barrozo, fora do clube, enviando-o para trabalhar no Tigres/RJ, do amigo Washington Reis, tornando-se responsável, agora pelo ‘outro lado’, do ‘troca-troca’ entre atletas realizado pelas agremiações.
Mais do que isso.
A mando de Andres, o presidente Roberto Andrade assinou a rescisão Barrozo, concedendo-lhe surreal “carta de recomendação”, – assinada pelo funcionário Victor Hugo (recursos humanos), além de pagamento de R$ 2,5 milhões pela demissão ‘sem justa causa’.

