Finanças do estádio de Itaquera serão administradas por Fundo sob gestão de conselheiro do Palmeiras

FIP SCCP (Fundo de Investimento em Participações Multiestratégia SCCP) será o novo administrador das contas do estádio de Itaquera.
A mudança vinha sendo ensaiada, sigilosamente, há algum tempo.
O Fundo, oficialmente, foi constituído em 25 de outubro de 2021, sob CNPJ: 44.465.760/0001-40 – sem aprovação do Conselho Deliberativo do Corinthians.

João Carlos Falbo Mansur será o gestor do FIP SCCP, através da REAG Administradora de Recursos Ltda, sediada à Av. Brig. Faria Lima nº 2277 – 17º andar, da qual é, reconhecidamente, CEO e principal proprietário.
O empresário é conselheiro do Palmeiras e foi empossado, recentemente, assessor na gestão de Leila Pereira.
Mansur intermediou o acordo entre WTORRE e Verdão que deu origem ao estádio palestrino.

Em 2009, porém, foi acusado de embolsar dinheiro indevido do clube.
No dia 17 de fevereiro daquele ano, o Blog do Juca reproduziu a matéria ‘Milhões pegos por um fio’, assinada pelo jornalista Marcelo Damato, da qual selecionamos os seguintes trechos:
“O presidente do Palmeiras, Luiz Gonzaga Belluzzo, mandou o Conselho de Fiscalização apurar responsabilidades de um contrato que poderia causar um gasto milionário aos cofres do Palmeiras”
“Membros da comissão de obras do estádio, um deles vice-presidente, outro diretor e outro ex-presidente, firmaram um contrato com um sócio para que ele prestasse “consultoria de obra” durante a reforma do Parque Antártica”
“Pelo contrato, o sócio João Carlos Mansur, que foi intermediário na negociação entre o Palmeiras e a WTorre, iria receber R$ 25 mil por mês do clube até o início das obras, o que deve ocorrer daqui a seis meses, e R$ 75 mil por mês durante os trabalhos, cuja duração prevista é de 30 meses”
“No total, deveria receber cerca de R$ 2,4 milhões”
“O contrato, entretanto, não foi assinado pelo presidente do clube na época, Affonso Della Monica, e assim, segundo a atual diretoria, não tem validade”
“Mesmo com o contrato sem a assinatura do presidente do clube, Mansur já recebeu o primeiro pagamento, de R$ 25 mil, em janeiro, ainda no mandato de Affonso Della Monica. Quem autorizou o pagamento foram então diretor administrativo (hoje no planejamento) José Ciryllo Júnior e o então diretor financeiro Salvador Palaia, ambos membros da comissão do estádio.”
Conselheiros do Palmeiras acreditavam que tratava-se de pagamento informal, sob disfarce de contrato ‘montado’, de comissão pela obra da Arena.

Em abril de 2019, José Carlos Mansur, na condição de CEO da REAG – que administrará o dinheiro do Corinthians – foi convocado a depor na CPI do PREVIPALMAS, sob suspeita de facilitar desfalque de R$ 50 milhões nos cofres públicos.
O empresário geriu o fundo ‘Cais Mauá’ por dois meses (em 2018) – justamente o período em que o dinheiro teria desaparecido – e somente renunciou à administração após a Operação Gatekeeper, da Policia Federal.

Mansur, em depoimento, negou participação nas irregularidades:
“Recebemos os atestados de regularidade do antigo gestor. Naquele momento não constatamos nenhuma irregularidade. Todos os investidores naquele momento estavam enquadrados”
Em 25 de julho, o Arena Fundo FII, gestor do estádio de Itaquera, em reunião extraordinária de cotistas, aprovou o acordo de refinanciamento com a CAIXA.
Mas não apenas isso.
Os cotistas foram comunicados da entrada de novos administradores, o Fundo de Investimento em Participações Multiestratégia SCCP (FIP SCCP), no negócio:

A Ata da reunião, na íntegra, pode ser conferida neste link:
Assembleia Geral – Arena Fundo – 25-07-2022
Na mesma data, o FIP SCCP também se reuniu:

Clique no link a seguir para ter acesso á integra da Ata da reunião:
Assembleia Geral – SCCP Fundo – 25-07-2022
Em síntese, além dos trâmites burocráticos, ficou decidido que as cotas da Jequitibá Patrimonial e da Odebrecht (a primeira era controlada pela segunda) seriam incorporadas ao novo Fundo Alvinegro.
Entre as questões não explicadas estão:
- qual será a função efetiva do Arena Fundo, daqui por diante, levando-se em consideração que não foi, até o momento, extinto?
- como será acertado o passivo de R$ 68 milhões devidos pelo Corinthians ao Arena (segundo Informe de agosto de 2022)?
A única certeza, entre tantas nebulosidades, é de que a gestão do Corinthians, que escondeu de conselheiros, torcedores e associados as manobras descritas, não faz jus a nenhum dos lemas de campanha de seus cartolas: ‘renovação’, ‘transparência’ e ‘democracia’.

1 Comentário