As entrelinhas da entrevista do Presidente do Corinthians à SPORTV

Ontem (19), Duílio ‘do Bingo’ Monteiro Alves, presidente do Corinthians, concedeu entrevista à Sportv, e, como de hábito, não falou a verdade.
Antes de expor algumas de suas respostas, uma indagação: quem será o primeiro jornalista – tomara até o final do mandato – que questionará o cartola sobre a origem de seu sustento, levando em consideração que ele, e toda a família, entre os quais dois diretores do Timão, estão com bens e contas bloqueados?
O Blog do Paulinho quer perguntar, mas Duilio foge de ser entrevistado por aqui.
No programa ‘Grande Círculo’, o dirigente disse:
“Nós temos um patrocinador que paga 100% do Paulinho”
Não é verdade.
‘Pagar’, no sentido de ‘presentear’, seria não receber nada em troca e, evidentemente, não é o que acontece.
Esse dinheiro está inserido nas obrigações do contrato de patrocínio.
Sobre os ‘naming-rights’:
“Os naming rights vão direto para a Caixa Econômica Federal, o pagamento é direto. Fica uma parte menor para o Corinthians”
Trata-se de uma impossibilidade.
Corinthians e Caixa estão em litígio há alguns anos e, desde então, os pagamentos de parcelas não foram mais confirmados.
Por contrato firmado entre Arena Fundo e o Timão, é OBRIGATÓRIO o repasse de qualquer renda oriunda do estádio ao Fundo e, somente ele, tem prerrogativa de pagar o banco credor.
Inexiste essa entrada de dinheiro no balanço do fundo.
Não há apontamento de pagamento, também, nas contas da Hypera Pharma, o ‘parceiro’ dos naming-rights’.
Duílio repetiu resposta anterior, de que a CAIXA recebe o dinheiro diretamente, porém, desta vez, acrescentou uma novidade: “fica uma parte menor para o Corinthians”.
Não há, em lugar algum do balanço do alvinegro, a indicação dessa entrada de dinheiro.
Se algo já foi pago não foi da maneira como está sendo contada.
Na melhor das hipóteses, em pura suposição, a Hypera estaria retendo praticamente dois anos de anuidades (R$ 30 milhões) para, após o final das tratativas entre Corinthians e Caixa, avaliar para quem destinaria o dinheiro.
A dúvida, se confirmado esse procedimento: em sendo pagas as parcelas, haverá cobrança de correção monetária?
Na última semana, o Fundo, exatamente por estar há anos sem receber um centavo sequer do Corinthians, passou a cobrar R$ 648,5 milhões do Timão, sendo pouco mais de R$ 600 milhões da obra do estádio e R$ 48 milhões em calotes sobre o lucro da operação em Itaquera.
Duílio, ao Sportv, rechaçou a possibilidade do futebol do clube aderir ao modelo de SAF (empresa) e justificou:
“Só fazer o trabalho direitinho, conseguir afastar a política, não deixar essa parte influenciar nas decisões, então temos feito tudo sem pensar em política”
Deve ser ‘verdade’.
Está aí, no comando das categorias de Base do Corinthians, o notório contraventor Jaça que não o deixa mentir.

