O compliance do Corinthians

Faz seis meses, uma nova diretoria do Corinthians assumiu com a promessa de implementar o departamento de compliance.
Se existe, não está funcionando.
No último final de semana, de maneira escandalosa, com a presença da diretoria executiva, conselheiro do clube reinaugurou um bar dentro do Parque São Jorge, mesmo estando, estatutariamente, impedido de fazê-lo.
No futebol profissional, o principal diretor está sendo acusado, formalmente (em depoimento inserido numa ação judicial) de roubar a empresa em que trabalhava.
Empréstimos continuam a ser tomados de agentes de jogadores.
O futebol de base é comandando por um bicheiro.
No mesmo departamento, o Supervisor da equipe sub-23, que obedece, por consequência, ordens de um contraventor, é filho de desembargador, conselheiro do Corinthians.
A gerência está a cargo de um agente de jogadores com duas empresas constituídas para este fim, ambas registradas na Junta Comercial de São Paulo.
O Corinthians diz ter formalizado a venda dos ‘naming-rights’ do estádio de Itaquera, mas o contrato ASSINADO nunca circulou pelo clube e não existe comprovação, até o momento, de pagamento.
Duílio, o presidente, está com bens e contas bloqueados pela justiça, devedor que é, junto com familiares – dois deles com cargos, de quase R$ 40 milhões em impostos, além doutros milhões em ações cíveis e trabalhistas.
Não seria correto questionar-lhe, diante desta prova concreta, levando-se em consideração o fato do cargo ocupado não lhe gerar remuneração, de onde provém sua subsistência?
Para não cansar o leitor, o Blog do Paulinho ficará apenas nestes exemplos, embora fosse possível listar mais algumas centenas de linhas com aberrações semelhantes.
Parece claro que o ‘compliance’ do Corinthians, em vez de assegurar comportamento correto dos dirigentes, servirá, como parece já estar servindo, de ‘passador de pano’ para irregularidades.
