Corinthians pode ter simulado sobrepreço de 68% como ‘honorários advocatícios’ em distrato de Jadson

Em novembro de 2020, o jogador Jadson ingressou com ação judicial contra o Corinthians para receber calote no acordo de rescisão de seu contrato com o clube.
A quantia era de R$ 740 mil.
Hoje em dia, calculados juros e multas por descumprimento, aproxima-se de R$ 1 milhão.
Mas o que chama a atenção nesse distrato, assinado pelo ex-presidente Andres Sanches, é inclusão de pagamento adicional ao advogado de Jadson, no valor de R$ 500 mil, inserido na soma total do acordo, que passou a ser de R$ 1,24 milhão.
68% de R$ 740 mil, absolutamente fora dos padrões de qualquer honorário advocatício.
Além disso, gera estranheza que um clube com departamento jurídico ativo necessite de ajuda externa, a preço exorbitante, para trivialidades inerentes aos seus negócios habituais.
Porém, quando observa-se o nome do advogado contratado, tudo começa a fazer sentido.
Trata-se de Marcelo Robalinho, dono da Think Ball, que assina também como agente do jogador.
Tudo indica tratar-se de simulação para pagamento de comissão, das mais expressivas, para formalizar a saída de Jadson do clube.
Para esconder a manobra, Jadson solicitou que a ação transcorresse em Segredo de Justiça.
O pedido foi negado, na última sexta-feira (05), pelo juiz Paulo Guilherme Amaral Toledo, da 1ª Vara Civil do Tatuapé:
“Indefiro o segredo de justiça porque os fatos tratados nos autos não envolvem sigilo legal ou a intimidade dos litigantes”
Intimado, o Corinthians terá três dias para quitar os valores devidos a Jadson.
A falta de cobrança por parte de Robalinho sugere que a pendência com o agente/advogado deve ter sido honrada e, talvez, distribuída a contento com os demais partícipes do negócio.
Novos valores, porém, serão acrescidos aos já embolsados.
Além dos R$ 500 mil recebidos por Robalinho, acertados no distrato, outros 10%, indicados nessa ação de cobrança de Jadson, também tratados como ‘honorários’, terão que ser quitados.
Mais R$ 100 mil, aproximadamente, no bolso dessa gente.

