Em novo Informe, Arena Fundo não relata pagamento de ‘naming-rights’ do estádio de Itaquera

Faz mais de cinco meses desde que o então presidente do Corinthians, Andres Sanches, no dia do aniversário do clube, promoveu midiático anúncio de acerto com a ‘Hypera Pharma’ pelos ‘naming-rights’ do estádio de Itaquera.
R$ 300 milhões por 20 anos, com depósitos de R$ 15 milhões, anualmente.
No mesmo minuto do discurso, a Arena já exibia o logo de uma das marcas da empresa.
Ou seja, o acordo, efetivamente, estava em vigor.
Porém, o Blog do Paulinho descobriu, pouco tempo depois, que nem tudo era, de fato, como estava sendo contado.
Apesar da ‘Hypera’ estar se beneficiando da exposição no estádio alvinegro, o contrato somente foi aprovado pelo ‘Arena Fundo FII’ – real parceiro comercial no negócio – em meados de novembro, período em que, imagina-se, as assinaturas teriam sido sacramentadas.
O tempo do verbo é incerto porque esse documento nunca apareceu no Parque São Jorge.
Pior do que isso: não há registro de qualquer pagamento da primeira parcela.
Ontem (15), a BRL Trust protocolou na Comissão de Valores Mobiliários novo Informe de Rendimentos do Arena Fundo, do qual é gestora, sem a indicação da entrada dos aludidos R$ 15 milhões.
Inexiste, também, qualquer informação deste valor na contabilidade do Corinthians.
As dúvidas, óbvias, são:
- a Hypera Pharma pagou pelos naming-rights do estádio de Itaquera?
- Para quem?
- Se o Arena Fundo ou o Corinthians receberam, porque nada consta em suas respectivas contabilidades?
- O contrato, aprovado apenas em novembro, foi efetivamente assinado?
- No caso da comprovação do não pagamento da primeira parcela, levando-se em consideração que o acordo não será rompido e a possibilidade, em tese, de quitação em fevereiro, a Hypera ressarcirá o Corinthians pelos cinco meses de exposição gratuita de sua marca em patrimônio sob domínio alvinegro (avaliados em R$ 6,25 milhões)?
Quem se dignará a respondê-las?
No mais, o Arena Fundo informou que o Corinthians segue lhe devendo calote de R$ 46,8 milhões em repasses de rendimentos do estádio (venda de ingressos, etc).
Outros dados relevantes são:
- o Fundo diz manter em caixa R$ 5,8 milhões ‘a título de liquidez’, embora sua função única, indicada em contrato, seja a de repassar dinheiro do Corinthians para seus credores;
- destes, quase R$ 4,8 milhões estariam investidos em Fundos, restando um milhão na conta-corrente;
- a depreciação do valor do estádio segue acentuada: de R$ 820 milhões, na data da inauguração, para atuais R$ 691,7 milhões (perda de R$ 128,3 milhões);
- O passivo declarado do Fundo é de R$ 2,1 milhões, sendo R$ 1,3 milhão discriminado como ‘outros valores a pagar’, sem maiores detalhes, e R$ 757,9 mil a título de ‘taxa de administração’, tendo como credora a BRL Trust
Clique no link a seguir para baixar o Informe Mensal do Arena Fundo, de fevereiro de 2021, referente às contas de janeiro:
Informe Mensal – Arena Fundo – fevereiro 2021

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