Tristeza de um torcedor da Portuguesa

lusa

Ontem, em meio à rodada importantíssima do Campeonato Brasileiro, licenciei-me por algumas horas de meu corinthianismo, e sofri torcendo por um milagre que pudesse evitar o rebaixamento da Portuguesa à Série D, quarta divisão do futebol nacional.

Em meio ao desastre, puxei na memória as outras vezes em que peguei-me torcendo pelo sucesso da Lusa.

É certo que, tirante os próprios e cada vez mais raros admiradores do clube de Canindé (não coloco entre eles bandidos que se autoproclamam “Leões da Fabulosa”, que tiveram ontem a ousadia de dilapidar o pouco patrimônio que ainda resta à Portuguesa), muitos torcedores de Corinthians, São Paulo, Santos, etc, já, em algum momento da vida, foram lusitanos.

Nunca esquecerei-me da Copa São Paulo que deu luz ao craque Dener, em que compareci a todas as partidas no Canindé, e, impressionado com aquele máquina de jogar futebol, sonhei que estava nos anos 60, pensando em Pelé.

Voltando aos tempos de infortúnio, em conversa um grande amigo, à época do primeiro da sequência dos rebaixamentos (da série A para a B), este proferiu:

“Enquanto a Portuguesa não esclarecer o episódio Heverton, em que claramente o clube foi vendido para beneficiar terceiros interessados, com provável participação de dirigentes e, tudo indica, do treinador, não conseguirá mais se reerguer”.

Observação, quase profética, que vem se confirmando, lamentavelmente.

A Lusa, há décadas, vem sendo assaltada por duas ou três famílias que comandam o clube e se alternam nos principais cargos, entre os quais a Presidência.

São ladrões impiedosos, que não se importam com o sofrimento do torcedor, com o atentado à história tão gloriosa, que, sem o menor constrangimento, aproveitam-se ainda da omissão de conselheiros que se vendem por benesses ínfimas que costumam ser aceitas por homens de estatura moral ainda menor do que a honestidade dos referidos dirigentes.

Na quarta divisão do Brasil, a Portuguesa, se nada for alterado, deverá ainda virar o ano sem estádio, dinheiro e perspectivas.

Situação inimaginável, tempos atrás, quando impunha respeito em todo o Brasil nas décadas de 60, 70 e 80, mediante esquadrões excepcionais de futebol, e em meados de 90, com o time do vice-campeonato nacional, por intermédio de lendas do esporte como Djalma Santos, Zé Maria, Enéias, Dener e tantos outros mais.

Estamos sofrendo, torcedores naturais da Lusa e os, que como este jornalista, a admiram por demais.

A esperança é que, do zero, o clube elimine de seus quadros, numa faxina absolutamente necessária, todos os bandidos (e são muitos, infelizmente, quase a maioria), renove-se em procedimentos e administração, e retorne, mesmo que demore alguns anos, à Elite do futebol brasileiro, donde, independentemente do tamanho que ostente, sempre será lembrada por um passado de glórias e honradez, manchado, recentemente, mas não esquecido pelos amantes do futebol.

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