André Negão é o tesoureiro do deputado federal Andres Sanches (PT)

Segundo investigação da Polícia Federal em sua “Operação Lava-Jato”, planilha da ODEBRECHT confirma pagamento de propina, entregue em dinheiro, nas mãos do vice-presidente do Corinthians, André Luiz Oliveira, o vulgo André Negão.
R$ 500 mil.
Engana-se, porém, que o dirigente alvinegro seria o destinatário final do dinheiro ilícito.
André Negão, desde sempre, trabalhou para servir o agora deputado federal Andres Sanches (PT), que empossou-lhe no cargo de Chefe de Gabinete, em São Paulo.
É uma espécie de tesoureiro do ex-presidente do Corinthians.
Mesmo tendo em seu currículo ligações comerciais com a contravenção penal ligada ao Jogo de Bicho (foi preso três vezes, em flagrante, pelo delito), com única comprovação de trabalho remunerado um cargo exercido em comissão na Prefeitura, pelo qual recebia R$ 3 mil mensais, André Negão exerceu diversos trabalhos durante a gestão Andres Sanches, no Corinthians, que poderiam facilmente indicar sua utilização como “laranja” para cuidar de interesses do dirigente, que, por razões óbvias, não poderia aparecer.
Foi assim nas obras do CT da Ayrton Senna (em que era responsável por todos os negócios – compra, venda, troca, etc.), nas realizadas dentro do Parque São Jorge, sem contar negociatas do futebol, em que, na mais conhecida delas, o “Caso Defederico”, foi delatado como recebedor de comissionamento por um dos agentes envolvidos no negócio.
Vale a pena lembrar, também: assim que Andres Sanches assumiu a Diretoria de Seleções da CBF, na gestão do semelhante Ricardo Teixeira, André Negão foi “convocado” pelo alvinegro a ocupar cargo nas categorias de base da Casa Bandida, local em que as convocações costumam render bastante aos cofres de quem as trata como relação comercial.
Voltando ao caso da ODEBRECHT, não há justificativa plausível que obrigaria a construtora a pagar quantia alguma a André Negão.
O vice alvinegro não tinha poder de decisão, não sentava em mesas de reunião e sequer assinou documento algum do negócio.
Evidentemente, o pagamento (que certamente não se trata de “filho único”) a Negão tinha por objetivo remunerar gente do Corinthians com prerrogativas de ajudar ou atrapalhar o empreendimento.
No clube, nem mesmo os presidentes, Roberto “da Nova” Andrade e Mario Gobbi, apesar da responsabilidade pelo fato de serem as únicas assinaturas do clube (algumas com anuência do diretor financeiro, Raul Corrêa da Silva) no contrato, davam sugestões ou comandavam, de alguma maneira, o negócio.
Somente Andres Sanches tinha autorização para tal.
Desde autorizar detalhes da obra (entre os quais pagamentos e recebimentos), até figurar como parte numa das gestoras do contrato, com direito a votos e vetos.
Negociava, inclusive, os naming-rights (pedindo 20% de comissão), além dos camarotes (que só conseguiu vender para os parceiros da Kalunga, em obscura transação, sem que os valores tenham sido, até hoje, revelados).
Os conselheiros do Corinthians e demais torcedores tem absoluta razão, pelo que se observa na repercussão do episódio, em pedir punição ao vice do clube, André Negão, mas não podem trata-lo como algo que não é, ou seja, cabeça de um esquema de propinas oriundas de desvios do estádio, mas sim pela sua real função na operação, que era a de intermediar o dinheiro sujo para quem, de fato, há anos, vem embolsando os recursos alvinegros.
