A tímida cobertura da Record nas investigações sobre corrupção dos direitos televisivos das competições esportivas

Globo-x-Record

Seja nas investigações do FBI ou na recente incursão da Polícia Federal, não é confortável a posição da Rede Globo, e também da “parceira” Bandeirantes, nas investigações sobre as negociações dos direitos televisivos dos principais eventos esportivos do planeta.

Há indícios claros, de ambas, inclusive com sociedade formalizada em alguns empreendimentos, da estreitíssima ligação com o delator premiado J. Háwilla, responsável pela intermediação de quase todos os negócios (certamente, os mais relevantes).

A Globo, desde a prisão de José Maria Marin e as consequentes revelações do FBI, tem escondido o Diretor de Esportes da emissora, Marcelo Campos Pinto (que tratava com Háwilla, CBF e clubes), chegando até a especular (revelamos por aqui), sua demissão, como meio de empurrar ao executivo, (e, por consequencia, desvincular-se), a culpabilidade sobre eventuais comprovações de falcatruas.

Em passado recente, a Rede Record “acertou-se” com o então presidente do Corinthians, Andres Sanches, para que este viabilizasse, através de lobby favorável, a participação da empresa na concorrência dos direitos de transmissão do Campeonato Brasileiro.

Após ser traída pelo dirigente, claramente cooptado pela Globo e seus “parceiros” comerciais, em represália, a rede de Edir Macedo iniciou uma série de reportagens caprichada, detalhada, expondo ao público bastidores do submundo esportivo, desvendando a vida dos dirigentes (Andres, Teixeira, etc.), e também os problemas (jurídicos e políticos) da emissora carioca.

Ou seja, apesar da motivação pessoal, a Record demonstrou ter meios para a realização de jornalismo eficaz.

É nesse contexto que há grande estranhamento, de diversos setores, não apenas da mídia, da timidez com que a emissora vem tratando a cobertura das investigações sobre a prática de corrupção, delatada por J. Hávilla ao FBI, que claramente colocam em situação difícil suas adversárias não apenas pela audiência, mas, principalmente, pelos contratos.

Por muito menos, o procedimento adotado, anteriormente, foi diferente.

Hoje, quando toca no assunto, a Record o faz de maneira protocolar, jogando, quando muito, uma ou outra insinuação, sem profundidade, na pena de jornalistas menores da casa.

Dentre as discussões sobre o assunto, há quem diga que a Record, com informações privilegiadas sobre as investigações, contaria com a exposição negativa, natural, da Rede Globo, agindo, então, com cautela, temerosa em se indispor com um “sistema” (de negociações), do qual sonha em fazer parte.

A tática seria divulgar as informações oficiais, vazar as “oficiosas”, para, então, quando a tempestade se formar, partir para o ataque, contando com apoio popular e o medo das federações, clubes e dirigentes de, sob investigação, voltarem a ‘conspirar”.

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