A nova velha CBF
DA FOLHA
Por JUCA KFOURI
“As indicações de um diretor de ética e transparência e do chefe da delegação na Copa América são piadas”
PIADAS SEM graça, Marco Polo Del Nero começa sua gestão com maquiagens dignas de mau maquiador.
Inventou uma diretoria de ética e transparência e indicou um deputado federal mineiro, Marcelo Guilherme de Aro Ferreira, que não só é herdeiro de uma família que teve de renunciar à Federação Mineira de Futebol, depois de explorá-la por anos a fio, como é membro da comissão que debate a medida provisória do futebol, numa cooptação que configura claro conflito de interesse.
Marcelo Aro, como é chamado, é neto do coronel José Guilherme Ferreira, que presidiu a FMF a partir de 1966, sucedido por um tio do deputado em 1987, quando Elmer Guilherme Ferreira assumiu o posto e fez secretário-geral seu irmão, José Guilherme Ferreira Filho, pai de Marcelo.
Ambos tiveram prisões preventivas pedidas pelo Ministério Público de MG em 2003, indiciados pela CPI da CBF/Nike, denunciados por formação de quadrilha, falsificação de documentos e apropriação indébita e tiveram que se afastar da federação.
Não satisfeito, Nero nomeou o empresário João Agripino Dória Jr. para chefiar a delegação brasileira na Copa América no Chile.
João Dória Jr., como prefere ser tratado, tem com o futebol a mesma familiaridade que Neymar tem com física quântica, além de ser santista como o craque do Barcelona.
Sua indicação parece provocação, embora o posto seja decorativo.
Tucano que esteve nos planos de Geraldo Alckmin para ser candidato a prefeito paulistano em 2012, o empresário foi um dos criadores do “Cansei”, em 2007, movimento que não sobreviveu ao ridículo a que foram expostos seus idealizadores e que, parece, morreu de estafa.
Promotor de convescotes sempre frequentados pelos principais empreiteiros do país, sua imagem de “bebê Johnson” deve ter influenciado Nero e seus novos cartolas, preocupados em higienizar a imagem da CBF após as gestões Teixeira/Marin, embora o próprio Nero tenha participado intensamente da de Marin.
Que papel está desempenhando o secretário-geral Walter Feldman nisso tudo é fácil imaginar. A tal ponto que Marin está, segundo seus próximos, “profundamente magoado”, sentindo-se traído, embora não tenha o direito de estar surpreso, dada a carreira de Nero na Federação Paulista de Futebol, quando apunhalou Eduardo José Farah.
Nero sinaliza com clareza que engrossa a oposição ao governo federal e há até quem diga que Dória recebe da CBF um impulso para criar, se não um novo partido político, um outro “movimento cívico” que não se canse tão rápido como o anterior.
Já a torcida, aquela pequena parte que ainda dá bola à seleção, espera que os convocados por Dunga para o torneio no país andino tenham fôlego suficiente para defender as esmaecidas cores verde e amarelo depois do vexame do 7 a 1.
O grupo chamado por ele é o que há de melhor para representá-las.

