O problema do São Paulo não é o técnico

Combate medieval

Por ROQUE CITADINI

Há tempo que nada comento sobre o SPFC. Desde que o presidente de lá disse que “no Corinthians, só não aceito o Citadini como presidente” fiquei tão contente, mas tão contente, que achei inadequado qualquer comentário ou citação sobre este clube. Seria uma injustiça que poderia minimizar o prazer de ser adversário dos tricolores.

Mas vendo a toada em que anda aquela agremiação -e sendo claramente adversário assumido- não posso deixar de notar a desagradável situação em que se encontra o “ex-exemplo para o mundo esportivo”.

Não que nosso Corinthians não tenha problemas. Tem e são muitos. A atual diretoria -que tem uma herança maldita, criada por ela mesmo- faz de tudo para superar dificuldades financeiras que brotam por todo lado. E tem contado com apoio e ajuda de importantes membros da oposição, como o próprio diretor de finanças.

O primeiro passo foi dado quando a direção arquivou o discurso de campanha de que tudo andava bem e o clube poderia continuar gastando  dinheiro por todo lado. Sem grana , precisou adotar uma política de contenção de gastos. Esta nova política chegou pela necessidade (falta de dinheiro) embora pudesse ter vindo por decisão racional de não embarcar em aventuras de toda a espécie. Se for mantida -e aprofundada- dará certo nos próximos meses e anos. Se for abandonada, como muito desconfiam, só agravará o quadro de irresponsabilidade orçamentária.

Mas, nesse momento, com auxílio de todos, o clube vem lutando para superar suas  maluquices financeiras dos últimos tempos. Será preciso força e continuar no caminho.

Mas, enquanto tudo isso ocorro, como será que anda o nosso adversário do “ex-maior” estádio particular do mundo?

Não. Não digo nada sobre “barraco” permanente dos diretores discutindo pela mídia. Falo do presente e do futuro da agremiação que perdeu o bonde e não sabe onde está.

A Copa, queira nossa mídia ou não, mudou o futebol brasileiro. Para o  bem e para o mal.

Ruim porque mostrou que vivemos em grave crise no gramado. Não temos times e nem craques como tínhamos no passado. Uma seleção formada por jogadores médios e com marketing de craques “fora de série”.

Mas a Copa deixou claro, também, o lado bom do evento.

As novas Arenas estão mudando nosso futebol.

O Corinthians é um exemplo das transformações. O clube aproveitou o trem da Copa e construiu sua Arena. Foi um passo pesado, que ainda trará muito suor,  por causa da grande dívida, mas foi  salto notável para o clube.

A realidade de hoje é que existem dois tipos de futebol no país: os que são jogados nas novas Arenas e os que vivem o passado do velho futebol improvisado, caótico e desconfortável dos estádios jurássicos.

A vantagem de quem tem Arena é cada dia mais clara. Acesso modernos, estacionamentos, gramados, o prazer de ver jogos quase dentro do campo, segurança e conforto. É o novo futebol brasileiro. O público cada dia gosta mais das novas Arenas. Tudo isso mesmo entre as torcidas organizadas querendo “esculhambar” para voltarem ao seu passado de glória.

Casa cheia -o Corinthians joga  sempre com mais de 30 mil torcedores- em contraste com os velhos estádios em que o público não comparece, mesmo em grandes jogos e ingressos a preço de banana.

Esse fosso vai aumentar cada dia em que o sol nascer.

Clube que tiver Arena, tende a crescer mais e mais. Clubes que tentarem sustentar os velhos “palácios do futebol” ficarão cada vez mais para trás.

Voces entenderam bem a crise? Não é o técnico ou o elenco de jogadores. O problema é mais profundo e veio com a Copa.

Será que vão despertar ? Não sei. Vamos para cima do Palestra que é o que restou como adversário.

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