Máfia Italiana, Odebrecht e o estádio do Corinthians
A Odebrecht está sendo investigada pela Procuradoria Anti-Máfia da Itália por associação criminosa com o jornalista italiano Valter Lavitola (foto), ex-diretor do diário “Avanti”, que presta serviços à Camorra, uma das principais organizações mafiosas do planeta.
A informação surgiu ontem, através do jornalista Jamil Chade.
O golpe teria sido aplicado na licitação para construção do Metrô do Panamá, ocasionando prejuízo de quase US$ 1 bilhão aos cofres públicos, em negócio que se assemelha aos procedimentos adotados no contrato de construção do estádio do Corinthians.
Escutas telefônicas, aprovadas pela Justiça italiana, flagraram que a empresa “Impregilo”, da Itália, que “perdeu” a licitação para a brasileira “Odebrecht”, sabia, com três anos de antecedência, o valor final da obra no Panamá (incluindo aditivos – que seriam assinados muito tempo depois).
O conluio é evidente.
Investigações dão conta de que o mafioso Lavitola intermediou a propina paga pela Odebrecht a executivos da Impregilo, que previam, antes mesmo da decisão oficial da licitação, sobrepreço de US$ 500 milhões (o lucro da construtora brasileira).
No final, a obra, orçada em US$ 1,4 bilhão, após três aditivos, custou US$ 2 bilhões ao Governo do Panamá.
O mesmo sistema parece ter sido adotado no negócio fechado entre Corinthians e Odebrecht para a construção do “Fielzão”, em São Paulo.
A princípio orçado em R$ 500 milhões (projeto aprovado pelo Conselho Deliberativo alvinegro), logo surgiram os primeiros aditivos (negociados por Andres Sanches, ex-presidente, mas assinados por Mario Gobbi, mandatário em exercício à época), que elevaram os custos a R$ 800 milhões, depois R$ 900 milhões e agora, por fim, impressionantes R$ 1,2 bilhão.
Resta saber se a diferença, um sobre-preço de R$ 700 milhões (até o momento não justificados nem detalhados pelas partes citadas) é oriunda de ações comerciais legítimas (ainda assim contestáveis) ou conluio criminoso, que, pelo histórico da Construtora (investigada na Lava-Jato) e dos dirigentes do clube, frequentemente envolvidos em problemas, por si estimularia investigação.
MAFIOSO VALTER LAVITOLA, PIZZOLATO E LULA, RESPONSÁVEL POR APRESENTAR A ODEBRECHT AO CORINTHIANS
Não é segredo para ninguém que o principal responsável por convencer a Odebrecht a construir um estádio para o Corinthians, em Itaquera, foi o ex-presidente do Brasil, Luis Inácio Lula da Silva, vulgo “Barba” do DOPS.
Estranhou-se, porém, que, pela primeira vez na história da humanidade, uma construtora aceitasse colocar dinheiro na frente para erguer uma obra bilionária, sem garantias, aparentes, de recebimento do montante investido.
Pelo que se observa, tanto no procedimento investigado pela Justiça Italiana, no Panamá, e o adotado nos aditivos negociados com o Corinthians, o valor real do risco sempre foi bem menor do que o anunciado.
O que, no caso do clube brasileiro, quitaria (em verdade) o montante devido com as próprias ações governamentais de auxílio ao negócio, ambas de governos petistas (R$ 420 milhões CIDs e R$ 400 milhões BNDES), sobrando para os caixas do clube uma dívida irreal, calcada no sobrepreço, com nítida conivência de seus próprios dirigentes.
Outro fator que salta aos olhos é que o ex-presidente Lula, a Odebrecht e o mafioso Valter Lavitola não são estranhos entre si.
Ainda dentro da investigação da Procuradoria Anti-Máfia italiana, já preso por falsidade ideológica no velho continente, o mensaleiro Henrique Pizzolato (foto com Lula) prestou esclarecimentos aos procuradores locais sobre uma carta encontrada entre os pertences de Lavitola, em que o mafioso dizia ao premier Silvio Berlusconi ter sido “ajudado” pelo ex-presidente do Brasil (à época, no cargo) a vender, à margem da Lei, uma área de manejo florestal na Amazônia.
“Infelizmente o presidente Lula (que está provando ser um verdadeiro amigo) já não pode fazer muito. Ele conseguiu que a direção da empresa compradora, por meio de uma sentença (obviamente acordada) de um tribunal de arbitragem, fizesse um acordo comigo”, indica o documento.
É portanto absolutamente crível, pela evidente proximidade de Lula com o mafioso, que o então presidente, assim como no caso do estádio do Corinthians, tenha “estimulado”, e por consequencia, recebido “estímulo” para “convencer” a Odebrecht a entrar no negócio do Panamá, utilizando-se dos mesmos métodos, por coincidência, utilizados no “Fielzão”.




