Quando um clube enfrentou um ditador
Por JOSE RENATO SATIRO SANTIAGO
Setembro de 1937.
O mandato do presidente Getúlio Vargas está próximo do fim, até maio de 1938.
As eleições presidenciais estão marcadas para janeiro daquele ano.
Getúlio Vargas quer mais.
Sob a alegação de um suposto plano comunista para tomada do poder, desenha um Golpe de Estado.
Getúlio arma o plano.
Seu ultimo obstáculo é o estado de São Paulo.
Ainda preocupado com a Revolução de 1932, Getúlio sabe do risco que corre.
O estado, no entanto, está dividido.
É uma oportunidade.
Em 10 de novembro de 1937, o Golpe de Estado sai do papel.
Está instituído o Estado Novo.
A Ditadura está oficializada.
Pouco menos de 1 mês depois, dia 4 de dezembro, uma grande cerimônia cívica no Rio de Janeiro é realizada para simbolizar este novo momento.
As bandeiras dos estados são queimadas.
Passa a estar proibido o uso das bandeiras e de todos os símbolos equivalentes.
O Estado Novo era contra qualquer manifestação regionalista.
Acredita-se que por conta disso a unicidade da federação estará garantida.
A vida será dura, sobretudo para os paulistas.
A lembrança de 1932 ainda está presente na mente do ditador.
O povo paulista resiste.
E para tal resolve adotar uma nova bandeira que o represente.
A bandeira tricolor, a do São Paulo Futebol Clube, desde então, o Mais Querido.
Que passa a estar presente em todas as manifestações públicas contra a ditadura do caudilho gaúcho.
Para sempre… o time que desafiou uma ditadura.

