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A José Trajano, o meu muito obrigado

trajano

Por MAURO CEZAR PEREIRA

Trabalho na ESPN Brasil há quase dez anos. Cheguei à emissora em 2004 para participar de algumas edições do Bate-Bola. Depois passei a substituir o grande jornalista e amigo Antero Greco no Sportscenterquando necessário. Em 5 de janeiro de 2005, José Trajano me escalou para comentar alguns jogos da Copa São Paulo, velho laboratório da casa onde os novatos ganham cancha.

Participei de uma rodada dupla em Taubaté. O primeiro cotejo Paulo Andrade narrou, foi entre o time da cidade e o Estrela do Norte de Cachoeiro do Itapemirim (ES). Também fui o comentarista da segunda peleja da tarde, São Paulo x Itabaiana (SE), narrada por João Palomino, hoje nosso diretor de jornalismo.

Aos poucos a ESPN me requisitava mais e fui deixando de lado outras atividades, como as aulas na faculdade de jornalismo, para me dedicar à emissora. Meses depois Trajano me ofereceu uma função na redação, a chefia de reportagem, que dividi com Paulo Vinicius Coelho, com quem comecei a trabalhar em 1991 na revista Placar.

Por alguns anos eu e Paulo executamos esse papel e o de comentarista ao mesmo tempo, nos programas e nos jogos. Antes da Copa de 2010 já não tínhamos mais a missão de cuidar da pauta diária dos repórteres. O que não mudou? Sempre tivemos liberdade, todos nós. Liberdade de expressão, de opinião. E se não tens idéia de como funcionam as coisas no jornalismo, saiba que não é algo comum.

Esse cenário raro na imprensa se tornou marca da ESPN e o grande responsável por isso chama-se José Trajano, que ocupou a direção de jornalismo da casa até a virada de 2011 para 2012. As pessoas podem concordar ou discordar dele, gostar ou não dele, mas ninguém jamais terá como lhe tirar tais méritos.

Trajano deu muitas oportunidades a vários profissionais, entre os quais me incluo. Cheguei à ESPN já “macaco velho”, como ele gosta de dizer, com 21 anos de jornalismo nas costas. Agora, uma década depois, estou mais rodado ainda e realizado.

Realizado não só pelas grandes coberturas que pude fazer ao longo de todo esse tempo e pelas quais lutei a cada dia, com dedicação, empenho e honestidade. Realizado, sim, por ele e a casa terem dado a mim (e aos demais que aqui trabalham e trabalharam) a chance de exercer a profissão que amo de forma combativa, crítica, inquieta, indignada. Realizado por ter aproveitado tal oportunidade.

Oportunidade de exercer um jornalismo que obviamente não é perfeito (quem é?), mas sempre se pautou pela preocupação com quem nos acompanha. O fã de esportes que merece receber o mais próximo da verdade que o jornalista for capaz de oferecer.

Eu e vários companheiros poderemos dizer aos nossos filhos que pelo menos num lugar, por algum tempo em tantos anos de carreira, foi possível dizer aquilo que pensávamos. Doa a quem doer, gostem ou não gostem. E isso é uma realização.

Na noite de terça-feira José Trajano recebeu a medalha Tiradentes na Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro, pelo trabalho dos canais ESPN durante essas cerca de duas décadas. Trabalho que só foi possível por causa dele. De minha parte, diante da chance de trabalhar com tamanha liberdade, procurei sempre honrar a oportunidade e não me acovardar.

Por isso, a José Trajano, meu muito obrigado.

Saudações!

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