Osmar Stabile ignora assédio sexual no Corinthians e também em sua empresa

Circulam há alguns meses informações sobre a ocorrência de assédios sexuais em diversos setores do Parque São Jorge — alguns denunciados internamente, mas, ao que parece, abafados pela gestão.
Dois casos ganharam evidência nesta semana.
Um deles teria sido cometido por um segurança do clube; o outro, por um bombeiro terceirizado contra uma colega de profissão — neste caso, com relato de tentativa de beijo forçado e cárcere privado — ocorrido na Arena de Itaquera.
Ambos, segundo denúncias — inclusive registradas na Polícia Civil de São Paulo —, teriam ameaçado as vítimas, que, temendo perder o emprego, suportaram as humilhações em silêncio.
O segurança, segundo consta, teria sido protegido pelo diretor Fábio “do Açaí” Soares.
Há, porém, um equívoco na informação sobre o bombeiro, tratado erroneamente como mero prestador de serviço terceirizado.
Segundo apurado, ele seria sócio oculto da empresa.

Trata-se de Marcos Antonio Fernandes Alves, de 46 anos, que já havia sido acusado anteriormente de assédio moral contra o bombeiro Matheus Rodrigues Ribeiro, também no ambiente corinthiano.
A pergunta que se impõe é: quem o protege?

Segundo apurado, a proteção viria de Ricardo Okabe, com a anuência do presidente Osmar Stabile — de quem é amigo há décadas e para quem atua como uma espécie de CEO informal do estádio alvinegro —, além de Rogério Pulga, conhecido por práticas controversas no Parque São Jorge, entre elas movimentações indevidas de ingressos.
Mas afinal, qual é a empresa envolvida?
Assim que assumiu a presidência, Osmar Stabile contratou a empresa BFC Serviços para operar os Bombeiros Civis da Arena de Itaquera.
Trata-se de uma novata no ramo.
Wagner Brum Gonçalves, proprietário formal da companhia — fundada apenas 11 meses antes —, publicou em seu Instagram que somente em 30 de abril de 2025 havia fechado o primeiro contrato nesse segmento:
“Hoje é um dia marcante para nós!”
“Com muita alegria e gratidão, anunciamos nosso primeiro contrato oficial assinado na área de serviços de Bombeiro Civil, com a respeitada instituição IMT — Instituto Mauá de Tecnologia.”

Em agosto de 2025, ao denunciar a contratação da prestadora de serviços pelo Corinthians, o Blog do Paulinho publicou vídeo em que Wagner, em tom “religioso” — típico de oportunistas —, aparenta iludir os próprios funcionários.
A BFC alega aos colaboradores que não possui recursos para remunerá-los.
E adota um método, no mínimo, questionável de cooptação:
“Estamos com esse programa de contratações para eventos dentro da Arena e outros que surgirem.”
“Precisamos de 80 a 100 pessoas para terça-feira, mas não temos condições de pagar a diária.”
“Desde o começo, tenho sido sincero com todos.”
“Mas nós somos uma escola.”
“Acredito que, às vezes, o conhecimento e a qualificação para enriquecer o currículo são mais importantes.”
“Sabemos que o dinheiro, para pais e mães de família, é importante…”
“Então nós, da BFC, vamos fornecer certificados no próprio dia, para que vocês saiam com conhecimento técnico, prático e certificação.”
“Quatro horas de curso.”
“O fundamental: vocês poderão tirar fotos, divulgar nas redes sociais e incluir no currículo.”
“Conto com todos vocês. Venham nos ajudar nesse treinamento… vocês sairão com conhecimento, qualificação e certificação.”
Se não é picaretagem, parece.
O Corinthians contratou uma empresa para prestar serviços profissionais de bombeiro civil — indicada por Ricardo Okabe, pessoa de extrema proximidade com Osmar Stabile — e, ao que tudo indica, além de utilizar mão de obra possivelmente desqualificada, formada por pessoas tratadas como “alunos”, ainda teria tolerado práticas graves, como episódios de assédio.
O caso pode não apenas gerar repercussões criminais, como também expor o clube à responsabilidade solidária em eventuais reclamações trabalhistas.

Bendsteel
Na empresa Bendsteel Estamparia, de Manaus/AM, filial com matriz em São Paulo, que tem o presidente do Corinthians como proprietário, o funcionário Madson Costa, Inspetor de Qualidade, denunciou assédio sexual e moral, sofrido por ele e também por outros funcionários, aos quais testemunhou.
O autor é nomeado: o líder de estamparia Arildo.
Madson relata que denunciou o abusador à diretoria da empresa e, em vez de acolhido, foi demitido, enquanto o acusado, protegido, permaneceu trabalhando.
Modus-operandi que Stabile parece ter levado ao Corinthians.
Confira:
Abaixo, o vídeo que Wagner Brum enviou aos funcionários da empresa que presta serviços de Bombeiro no Corinthians:
