Quem se beneficiou com o vazamento da Ticketmaster no Corinthians?

É de conhecimento público o vazamento de dados que resultou na desistência da Ticketmaster em assumir a operação de ingressos e do Fiel Torcedor do Corinthians, causando a perda de uma proposta milionária aos cofres do clube.

Desde então, especula-se quem teria fornecido as informações à imprensa.

Ou quem estaria lucrando com o ocorrido.

O “bode expiatório” já foi escolhido: Marcelo Munhoes, diretor de TI, que, para se defender, registrou Boletim de Ocorrência, ao mesmo tempo em que oficiava a presidência e o compliance do clube.

Osmar Stabile, Haroldo Dantas, Marcelinho e Okabe

Entre os que poderiam ter acessado a proposta, segundo pessoas bem informadas do clube, estariam, certamente, Osmar Stabile (presidente), Armando Mendonça (vice), Ricardo Okabe (CEO informal da Arena, ligado a Stabile) e Fabio Soares (diretor administrativo), além de, possivelmente, o próprio Munhoes (TI), Heroi Vicente (diretor de Expansão, Inovação e Negócios) e Vinicius Manfredi (marketing).

Desses, Munhoes e Manfredi teriam comprovações documentais de inocência.

A verificar.

Heroi é descartado por alguns por ter participado da aproximação da Ticketmaster com o Corinthians, portanto, interessado no fechamento do acordo.

Dos que restaram, todos integrantes da cúpula do poder, qual seria, então, a motivação em prejudicar o negócio?

Léo Rizzo

A empresa ‘Ingresse’, ligada ao Camarote Fielzone, do empresário Leonardo (Léo) Rizzo, era a concorrente da Ticketmaster.

É conhecida a generosidade do empresário com cartolas do Corinthians nos últimos anos.

O Fielzone possui dívida milionária com o Timão — valor que sequer é cobrado pela diretoria, ao menos não nos mesmos moldes judiciais adotados contra outros locatários.

Prejudicar a proposta da Ticketmaster seria de grande interesse para ampliar os tentáculos de Rizzo sobre a mais relevante operação financeira da Arena, situação que, segundo bastidores do clube, deixaria o CEO Ricardo Okabe mais do que satisfeito — e, possivelmente, milionário.

Não apenas ele, talvez.

Nesse cenário, resta saber se Osmar Stabile, seu parceiro há mais de 30 anos, estaria “vendido”, por trás da “venda” ou simplesmente fechando os olhos para não impedir a movimentação.

Sobre Armando Mendonça, a desconfiança é semelhante: favorecer o Fielzone, pelas motivações já expostas.

Noutra frente, mais ao ‘Centrão’, por óbvio.

Este é o quadro.

Muitas dúvidas, algumas certezas e evidências severas.

Talvez a mais eloquente delas, até o momento, seja a movimentação de Munhoes ao procurar — e não ser procurado por — polícia, compliance e presidência, o que lhe confere alguma credibilidade, em contraste com o silêncio bastante estranho de todos os demais citados ou apontados como suspeitos.

Urge investigação.

É fato a existência de um beneficiado; resta agora saber quem, inequivocamente, contribuiu — e sob quais interesses — para que esses objetivos fossem atendidos.

A ausência de movimentação, até o momento, do Conselho Deliberativo é atribuída à preservação dos interesses de outro personagem ligado economicamente ao Fielzone: Adriano Monteiro Alves, irmão de Duílio “do Bingo”, ex-presidente do Corinthians, que ocupa a função de membro da Comissão de Marketing do referido órgão.

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