Detalhes de como a REAG/PCC movimentou parte do dinheiro do Corinthians (com documentos)

Quase dois anos antes de assumir a gestão do Arena Fundo FII, a REAG — investigada sob acusações de lavagem de dinheiro do PCC e do Banco Master — já atuava nos bastidores do Corinthians.
Apenas a cúpula da gestão Duílio “do Bingo” — parte dela, talvez, beneficiada pelo possível esquema — tinha ciência da operação.
A empresa chegou ao Parque São Jorge pelas mãos de Adriano Monteiro Alves, irmão do então presidente.
Em 25 de outubro de 2021, a REAG criou um fundo de nome sugestivo: SCCP Fundo de Investimento em Participações Multiestratégia.
A movimentação, como demonstraremos adiante, sugere desvio de recursos e lavagem de dinheiro.

A carteira era composta por:
– Ações da SPE UPI Arena S/A, que tem como diretor o advogado Rui Fernando Almeida Dias dos Santos Junior, sócio de Luis Felipe Santoro, irmão de Rozallah Santoro;
– Cotas do fundo REAG DI Cash II, investigado pela Polícia Federal por suposta ligação com o PCC.
Desde então, parte do dinheiro da Arena de Itaquera passou a ser desviada para o “SCCP”.
Quando esse fundo chegou ao fundo do poço e passou a operar com saldo devedor, a REAG, em 17 de junho de 2025 — já sob a presidência de Osmar Stabile no Corinthians — realocou os investimentos em outro fundo, igualmente constituído como SCCP Fundo de Investimento em Participações Multiestratégia.

Ingressou na carteira, além das ações e cotas listadas anteriormente, o RWM Plus, que passou a ser o destino das operações financeiras do SCCP e também do Arena Fundo FII, ambos sob controle da REAG.

Diretor investigado assinou contrato do Corinthians com a CAIXA
O novo contrato que redefiniu o acordo financeiro entre Corinthians e CAIXA foi assinado em 25 de julho de 2022.
Entre os signatários, representando o ‘SCCP Fundo’, está Ramon Pessoa Dantas, diretor da REAG, seriamente implicado na denúncia que liga a empresa ao crime organizado.
Pelo Corinthians, assinam Duílio “do Bingo” e Wesley Melo, com aval do departamento jurídico, então comandado por Herói Vicente.
O acordo foi firmado nove meses após a REAG criar o “SCCP” e um ano antes de a empresa assumir a gestão do Arena Fundo.


As suspeitas movimentações dos Fundos SCCP
O Blog do Paulinho analisou, de forma conjunta, as movimentações dos fundos SCCP criados pela REAG — um aberto em 2021 e outro em 2025, ambos controlados pela mesma administradora.
Revelou-se um padrão financeiro repetitivo, que levanta suspeitas sobre interligação patrimonial e possível utilização irregular de recursos.
Todo o dinheiro investido é proveniente do Corinthians.

2021 – 2025
No primeiro SCCP, aberto em 2021, os números revelam um processo acelerado de destruição patrimonial.
O fundo iniciou suas atividades com patrimônio líquido de R$ 1.200.223,37, entre julho e setembro de 2022, valor integralizado por um único cotista.
Em apenas três meses, apesar de o capital ter aumentado para R$ 1.500.000,00, o patrimônio caiu para R$ 932.474,05.
A sangria prosseguiu: R$ 636.278,49 no primeiro trimestre de 2023, R$ 334.483,51 no trimestre seguinte e apenas R$ 33.370,71 entre julho e setembro de 2023 — uma perda de 97,8% do valor investido.
No fim de 2023, o fundo entrou oficialmente no vermelho, com patrimônio negativo de – R$ 267.716,69, rombo que aumentou para – R$ 669.152,39 no início de 2024.
Mesmo após novo aporte — dinheiro do Corinthians — que elevou o capital para R$ 2.608.162,29, a situação piorou: o patrimônio despencou para – R$ 1.861.561,02.
Somente depois de uma nova injeção expressiva, que levou o capital a R$ 4.396.304,72, houve recuperação parcial, com patrimônio de R$ 1.331.606,10 no fim de 2024.
A melhora durou pouco: em abril de 2025, o patrimônio voltou a cair para R$ 949.156,31.
Ou seja: entraram milhões, mas o dinheiro desapareceu sucessivamente.

2025
O fundo aberto em 2025, sob a mesma administradora, apresenta uma estrutura ainda mais preocupante.
Seu patrimônio líquido atual é de R$ 745.298,82, mas praticamente todo esse valor está concentrado em um único investimento: o Fundo RWM Plus – investigado por ligação com o PCC e o banco Master -, de crédito privado, no montante de R$ 957.793,07 — valor superior ao próprio patrimônio declarado.
É o mesmo padrão adotado, na mesma época, pelo Arena Fundo FII.
Em caixa, restam apenas R$ 4.005,38, o que evidencia baixíssima liquidez operacional.
O restante do portfólio se resume a participações simbólicas: 890 ações da Arena Itaquera S.A. e 100 ações da SPE UPI Arena S.A., avaliadas em R$ 1,00 cada, sem qualquer relevância financeira.
Enquanto isso, o fundo acumula dívidas: R$ 108.670,28 em taxa de administração e R$ 790,57 referentes à taxa da CVM, além de outras despesas menores.

Continuidade e interligação
Os dois fundos, ainda operantes — embora com movimentação financeira recente apenas no segundo — apresentam elementos comuns:
– mesma administradora;
– concentração extrema de recursos;
– baixa liquidez;
– sucessivos prejuízos;
– dependência constante de aportes;
– estrutura com pouca diversificação;
– decisões financeiras de alto risco.
No primeiro fundo, o dinheiro entra e desaparece.
No segundo, o dinheiro entra e é imediatamente concentrado em um único ativo privado, de difícil rastreamento e baixa transparência.
Essa sequência temporal — um fundo colapsando e outro surgindo com padrão semelhante — levanta a hipótese de continuidade operacional, com possível migração indireta de recursos, reorganização patrimonial ou reciclagem de capital dentro da mesma estrutura administrativa.

Lavagem de dinheiro?
O conjunto dos dados pode ser compatível com práticas comumente associadas à lavagem de dinheiro, tais como:
– entrada de grandes volumes de recursos;
– rápida diluição ou desaparecimento do patrimônio;
– reinjeção recorrente de capital sem justificativa econômica clara;
– concentração em ativos privados;
– ausência de diversificação;
– dificuldade de rastreamento do destino final dos recursos.
O roteiro observado é recorrente: o dinheiro entra; o patrimônio é corroído; novos aportes surgem; os recursos são concentrados; a estrutura se mantém artificialmente ativa.
Esse padrão não se coaduna com a gestão regular de fundos de investimento e, quando analisado de forma continuada, pode indicar utilização do sistema financeiro para ocultação, dissimulação ou desvio de recursos, nos termos da Lei de Lavagem de Dinheiro.
Dados mais do que suficientes para justificar apuração por parte da CVM, do Banco Central e do Ministério Público.
Toda essa operação, com indícios de fraude, foi criada na gestão Duílio “do Bingo”, mas permaneceu operante durante as administrações de Augusto Melo e Osmar Stabile, seguindo vigente até o presente momento.
