André ‘do Bilhão’ tentou negociar títulos utilizados por REAG e MASTER com o Corinthians

Títulos Podres
Investigação do Ministério Público e da Polícia Federal identificou o uso de títulos do Besc em um esquema envolvendo o banco Master e a gestora REAG para inflar artificialmente o patrimônio de fundos.
O objetivo seria lavar dinheiro do crime organizado.
Segundo a Polícia Federal, trata-se de um golpe conhecido pelos investigadores.
Os títulos do Besc (extinto Banco Estadual de Santa Catarina), na prática, não possuem qualquer valor de mercado.
Estelionatários, ainda hoje, tentam empurrar esses papéis — tratados como “podres” — em otários de ocasião.
Uma das vítimas quase foi o Corinthians.

André ‘do Bilhão’ e o grupo Maxxii
Antes de surgir com a mirabolante proposta de injetar R$ 1 bilhão no Corinthians, André Castro, vulgo “André do Bilhão”, havia tentado empurrar ao clube os chamados títulos podres do Besc.
Em reunião com Augusto Melo, na presença de Valmir Costa, o espertalhão propôs — na condição de “representante” (na verdade, intermediário) do grupo Maxxii, escritório pertencente a um amigo de infância chamado Marco — a venda de R$ 1,6 bilhão em ações do falido Banco do Estado de Santa Catarina, incorporado pelo Banco do Brasil, com deságio de 85%.
Ou seja: o clube pagaria “apenas” R$ 240 milhões.
A comissão de André seria de 10%.
Ele alegava que os papéis, adquiridos a preços módicos, poderiam ser trocados na Caixa Econômica Federal pela dívida do estádio de Itaquera — e ainda sobraria dinheiro.
Para investigar a oferta, o Corinthians enviou dois representantes, que se reuniram, em datas distintas, na sede da Maxxii.
O Blog do Paulinho teve acesso aos registros da portaria do Edifício Numa de Oliveira, na Avenida Paulista, nº 1009, local dos encontros.
No dia 7 de março, Marcelo Mariano (Marcelinho), diretor administrativo alvinegro, entrou no prédio às 11h14 e saiu às 12h44 — permanecendo por 1h30.
Em 3 de abril, foi a vez de Osmar Stabile, então vice-presidente do Corinthians, que ingressou às 12h20 e saiu às 13h17 — praticamente uma hora de reunião.
Não faltam, portanto, testemunhas.

A avaliação da diretoria do Corinthians — então conduzida por cartolas que, conforme demonstra recente inquérito policial, não teriam problema algum em dividir comissionamentos — era de que o negócio poderia se tratar de fraude.
O tempo lhes deu razão.
Em 8 de abril de 2025, o Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC) decidiu que ações preferenciais do BESC não podem ser utilizadas como compensação automática para pagamento de dívidas com o Banco do Brasil.
O motivo: possuem baixa liquidez, e a compensação deve envolver obrigações de mesma natureza.
Agora, o MPF e a PF descobriram que o esquema era utilizado também pelo banco Master e pela REAG, ambos implicados em graves apurações criminais.
Se tivesse embarcado na proposta de André Castro, o Corinthians perderia R$ 264 milhões (incluídos os R$ 24 milhões de comissão do intermediário) e morreria com os ‘papéis podres’ na mão.

Cria de Duílio ‘do Bingo’
Em 2021, André Castro trabalhou nas categorias de base do Corinthians durante a gestão de Duílio “do Bingo”.
A mesma que, coincidentemente, trouxe a REAG para administrar o Arena Fundo, responsável pela gestão financeira do estádio de Itaquera.
Fomentado por influenciadores irresponsáveis, Castro obteve expressivos índices de aprovação popular na campanha, no ano passado, à presidência do alvinegro.
Se a eleição fosse aberta ao público, estaria, neste momento, ocupando o cargo máximo do Corinthians.

OUTRO LADO
O Grupo MAXXII entrou em contato com o Blog do Paulinho e enviou o seguinte esclarecimento:
A Monetização de Ativos BESC pela Maxxii
A atuação da Maxxii Consultoria Empresarial, fundamenta-se na exploração de direitos creditórios e acionários legítimos, especificamente no que tange aos títulos remanescentes do extinto Banco do Estado de Santa Catarina (BESC). Diferente de narrativas que sugerem a utilização de ativos sem lastro, a estratégia da Maxxii foca na monetização via conversão, transformando ações preferenciais de baixa liquidez em ativos negociáveis na B3 (ações BBAS3) ou em indenizações pecuniárias devidas pelo Banco do Brasil.
1. A Natureza Jurídica e a Legitimidade dos Títulos BESC
Os títulos em questão são ações preferenciais classes “A” e “B” do BESC, instituição que foi federalizada e, em 30 de setembro de 2008, formalmente incorporada pelo Banco do Brasil S.A.
Por força do Protocolo e Justificação de Incorporação, o Banco do Brasil assumiu a sucessão universal de todos os direitos e obrigações do BESC.
A Maxxii atua como uma consultoria especializada que identifica e regulariza esses títulos para seus parceiros. O valor desses ativos não é fictício; ele é garantido pelo patrimônio líquido do sucessor (Banco do Brasil), que na data da incorporação foi avaliado em centenas de milhões de reais para fins de troca acionária.
2. A Estratégia de Monetização: Conversão em Ações BBAS3
A defesa da Maxxii repousa no fato de que o objetivo final da posse desses títulos é a sua monetização. Este processo ocorre através da conversão compulsória ou judicial das ações do BESC em ações ordinárias do Banco do Brasil, que possuem alta liquidez no mercado de capitais brasileiro.
A Maxxii busca compelir o Banco do Brasil a cumprir este protocolo, garantindo que os detentores das cártulas recebam o valor equivalente em ações negociadas na bolsa ou a devida indenização pelo valor atualizado.
3. Sustentação Jurisprudencial e o Papel do STJ
A tese defendida pela Maxxii é corroborada por decisões recentes do Superior Tribunal de Justiça (STJ). Em julgados de 2024 e 2025, a Terceira Turma do STJ reafirmou que o Banco do Brasil, como sucessor, tem a obrigação de converter as ações ou indenizar os proprietários de títulos múltiplos do BESC, caso não tenha realizado a atualização administrativa no prazo legal.
● Obrigação de Fazer: A justiça tem determinado que o BB emita as ações convertidas ou pague o valor correspondente sob pena de enriquecimento ilícito da instituição financeira.
● Redução de Passivos: Para empresas e clubes com dívidas bancárias, a Maxxii utiliza esses títulos para substituição de penhoras ou compensação de débitos, baseando-se na liquidez futura garantida pela conversão em ações do BB.1
4. Diferenciação Crítica: Consultoria Técnica vs. Fraude Financeira
É imperativo distinguir a operação da Maxxii das investigações citadas em blogs de opinião, como a Operação Carbono Oculto. Enquanto fraudes financeiras baseiam-se na sobrevalorização artificial de ativos privados para inflar balanços (como no caso do Banco Master/Reag), a Maxxii trabalha com a Obrigação do Banco do Brasil em converter para ações do antigo Banco Santa Catarina para ações do Banco do Brasil, mediante ação judicial.
Conclusão
A Maxxii Consultoria não opera com “papéis podres”, mas sim com direitos creditórios subestimados pelo mercado. Sua expertise de 17 anos permite destravar o valor econômico contido nas ações do BESC, utilizando a via judicial para garantir que o Banco do Brasil honre a sucessão obrigacional.
Ao oferecer esses títulos como lastro ou garantia, a Maxxii está, na prática, antecipando um direito de conversão em ações de alta liquidez (BBAS3), o que constitui uma estratégia legítima de engenharia financeira e defesa patrimonial para seus clientes.
