Conselho Federal de Medicina joga de bandido contra o país

Durante o governo Jair Bolsonaro, o CFM abandonou qualquer pretensão de atuar como entidade técnica e reguladora da boa prática médica para transformar-se em um braço político do bolsonarismo.

Na pandemia, quando o país chorava centenas de milhares de mortos, o conselho optou pela omissão criminosa: chancelou o negacionismo, deu guarida ao uso de medicamentos ineficazes, atacou vacinas e ofereceu respaldo institucional a uma política sanitária que custou vidas.

Enquanto a ciência alertava, o CFM relativizava.

Ao mesmo tempo em que médicos sérios denunciavam o desastre, o conselho silenciava ou, pior, legitimava a barbárie.

Agora, a entidade volta à cena para cumprir mais um papel constrangedor: pressionar o Supremo Tribunal Federal em defesa de um golpista condenado, tentando influenciar decisões judiciais sob o pretexto de “preocupação médica”.

Não se trata de zelo com a saúde de ninguém, mas de mais um movimento político, alinhado ao mesmo projeto autoritário que o CFM jamais escondeu apoiar.

É grave.

Não apenas pela tentativa explícita de constrangimento institucional ao STF, mas porque revela a persistência de uma cultura corporativista e ideológica que sequestrou o conselho.

Ainda bem, o ministro Alexandre de Moraes não é de sucumbir a pressões.

O CFM não fala em nome da medicina brasileira — fala em nome de um grupo que instrumentaliza a profissão para proteger aliados, relativizar crimes e atacar as instituições democráticas.

Ao longo dos últimos anos, o conselho acumulou episódios que envergonham a história da medicina: perseguição a profissionais críticos, complacência com charlatanismo, alinhamento político explícito e desprezo pela ciência.

A investida de ontem é apenas mais um capítulo dessa trajetória.

O Brasil precisa discutir, com seriedade, quem fiscaliza os fiscalizadores.

Porque quando uma autarquia que deveria proteger a saúde pública passa a agir como partido político, o risco não é apenas institucional — é humano.

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