FIFA e COI precisam punir os EUA

FIFA e o COI gostam de se apresentar como guardiões de valores universais: paz, convivência entre os povos, respeito ao direito internacional.

Não foi esse o discurso que fundamentou a punição esportiva imposta à Rússia, banida de competições internacionais após sua ação militar na Ucrânia?

Pois bem.

Diante das informações de que os Estados Unidos promoveram uma incursão militar em território soberano da Venezuela, culminando na captura de seu chefe de Estado, impõe-se uma pergunta simples — e incômoda: as regras valem para todos ou apenas para adversários geopolíticos convenientes?

A Rússia foi punida sob o argumento de que a agressão a outro país violava os princípios que regem o esporte internacional.

Atletas foram afastados, federações suspensas, bandeiras proibidas.

Não houve espaço para “contextualizações”, “excepcionalidades” ou “liderança global”.

Houve punição.

Se o critério permanece o mesmo — e não há qualquer regulamento que autorize interpretações seletivas —, é dever institucional da FIFA e do COI aplicar aos Estados Unidos o mesmo rigor.

O constrangimento aumenta quando se recorda que os EUA serão sede da próxima Copa do Mundo e das próximas Olimpíadas.

Piora quando, há pouco, Trump recebeu da FIFA uma espécie de ‘Nobel da Paz’ da entidade.

A mensagem transmitida ao mundo, caso nada seja feito, é cristalina: o esporte pune quando quer, silencia quando convém.

Ou a FIFA e o COI admitem, publicamente, que suas sanções são instrumentos políticos seletivos — e não decisões éticas —, ou assumem o ônus de agir agora, aplicando aos Estados Unidos as mesmas medidas adotadas contra a Rússia.

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