A folha corrida de comissão que investigará os ex-presidentes do Corinthians

Romeu Tuma Junior, presidente do Conselho Deliberativo do Corinthians, divulgou a composição da Comissão de Justiça, que investigará possíveis malfeitos de três ex-presidentes do clube: Andrés Sanchez, Duílio “do Bingo” e Augusto Melo.
Mais do que discutir os nomes, trata-se de uma manobra esperta para atrasar os procedimentos.
O Estatuto não obriga que o caso passe antes pela Comissão de Justiça.
O correto seria enviá-lo diretamente à Sindicância, estabelecendo prazo para apresentação de relatório e, depois, submetê-lo à votação do Conselho.
A Comissão, no entanto, tende a protelar, atendendo a interesses e acordos políticos que ajudaram a eleger Osmar Stabile à presidência do Corinthians.
Quanto aos nomeados, a situação chega a ser constrangedora.
Corinto Baldoino Pereira e Costa, indicado conjuntamente por Antônio Rachid e Paulo Garcia, é réu pelo crime de patrocínio infiel — quando o advogado ou procurador trai, de forma dolosa, o dever de lealdade, prejudicando o interesse que deveria defender.
A pena prevista é de detenção de 6 meses a 3 anos, além de multa.
Trata-se de delito contra a administração da justiça, fundado na violação da confiança entre cliente e patrono.
Segundo a acusação, Corinto teria enganado trabalhadores de uma empresa de ônibus que representava, ao mesmo tempo em que também advogava em favor dos patrões.
Trecho do I.P. nº 371/23 registra:
“(…) a notícia da infração criminal foi trazida ao conhecimento deste signatário por meio de ofício da 1ª Promotoria de Justiça Criminal da Capital, dando conta de que os advogados Araken Tiago Santana Pereira, Corinto Baldoino Parreira e Valter Alves dos Santos estariam praticando crimes previstos no artigo 335 do Código Penal.”
Em 30 de junho de 2023, o MP-SP concluiu:
“Segundo consta, os advogados ARAKEN TIAGO SANTANA PEREIRA, CORINTO BALDOÍNO PARREIRA e VALTER ALVES DOS SANTOS, juntamente com representantes da empresa ALLIBUS TRANSPORTES LTDA, ajuizaram dezenas de ações idênticas, todas visando à homologação de transação extrajudicial em que a empresa figurava como parte e os advogados como patronos dos trabalhadores.”
“Ocorre que, diante da repetição de ações, a Justiça do Trabalho constatou a existência de ao menos 48 processos, todos padronizados e sem atenção às peculiaridades de cada caso concreto — sendo o advogado VALTER ALVES DOS SANTOS patrono da empresa ALLIBUS e, na parte contrária, os advogados ARAKEN TIAGO SANTANA PEREIRA e CORINTO BALDOÍNO PARREIRA.”
“(…) os advogados foram insistentemente advertidos acerca da padronização dos feitos, que, sem observar os detalhes dos contratos de trabalho firmados por cada um dos trabalhadores, requeriam homologações de acordos com cláusulas idênticas.”
Na mesma data, a juíza Giovanna Christina Colares, do DIPO, determinou o envio do processo à Justiça Federal, onde o julgamento segue em curso.
Este, contudo, não era o único problema criminal de Corinto.
Até 6 de maio de 2025 — pouco mais de quatro meses atrás — o conselheiro do Corinthians também respondia a inquérito sob acusação de desobediência e prevaricação, em um rolo envolvendo o leilão de um veículo apreendido pela Justiça; o caso, porém, foi arquivado.
Corinto aprovou as contas de Andres Sanchez em 2019.
Os demais nomes são: Alexandre Marques Silveira, que elegeu-se conselheiro na chapa patrocinada pelo notório bicheiro Jaça, latifundiário das categorias de base do Corinthians e aprovou as contas de Andres Sanchez em 2019 e 2020; Fausto Di Toti Garcia, conhecido por ter levado Alberto Dualib à Justiça; José Luiz Cecílio, o “Zé da Mooca”, ex-integrante do grupo Fora Dualib — ambos ligados à gestão Renovação e Transparência; além de André Rodrigues Moreno, indicado por Leonardo Pantaleão, que concordou com o acordo eleitoral de proteção aos ex-presidentes investigados.
Em 2016, Cecílio integrou uma Comissão de Ética que absolveu conselheiros e dirigentes da gestão Roberto Andrade, acusados de cobrar propina para avaliar e inserir jovens atletas no clube.
Entre os investigados estavam Augusto Melo, Valmir Costa e Claudinei Alves — então membros da Renovação e Transparência —, além de Eduardo “Gaguinho” Ferreira, Mané da Carne e José Onofre de Souza Almeida.
Zé da Mooca aprovou as contas de Duílio’ do Bingo’ em 2023.
EM TEMPO: o Blog do Paulinho corrigiu informação anterior que trouxe homônimo de um dos indicados na Comissão de Justiça

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