Mais do que dinheiro, gestão

Da FOLHA

EDITORIAL

  • Com uso estratégico de recursos, cidades pobres superam outras mais ricas em indicadores de saúde
  • A taxa de mortalidade materna em Fortaleza, 20ª colocada em PIB per capita, é menor do que em Brasília, o maior PIB per capita do país

Levamento realizado pela Umane (associação civil sem fins lucrativos que apoia iniciativas em saúde pública), com base em informações do DataSUS, mostra as já conhecidas disparidades regionais no setor, mas também que uma alocação racional do dinheiro público pode ser mais eficaz do que o montante de recursos disponíveis.

A pesquisa avaliou três indicadores no ano de 2023: mortalidade infantil de crianças menores de um ano, mortalidade materna e mortes prematuras (de pessoas entre 30 e 69 anos) por doenças crônicas não transmissíveis.

Cruzando os dados, as cinco capitais nas primeiras colocações, por ordem, são: Brasília, Florianópolis, Curitiba, Vitória e Fortaleza, enquanto Salvador, Recife, João Pessoa, Teresina e Manaus estão nas últimas posições.

Fortaleza chama a atenção. Segundo os dados mais recentes do IBGE, de 2021, ela está no 20º lugar entre as 27 capitais do país em Produto Interno Bruto per capita (R$ 27.164); já Brasília está no topo da lista (R$ 92.737).

Além disso, considerando apenas a mortalidade materna, a taxa de mortes de mulheres relacionadas a gravidez por 100 mil nascidos vivos na cidade do Nordeste (33,70) é inferior à da capital do Distrito Federal (36,18).

Para cada indicador, a pesquisa selecionou as 13 capitais mais bem colocadas. Ainda em mortalidade materna, São Paulo —3º maior PIB per capita— está na 13ª posição, com taxa de 37,11, atrás até de Belém (31,52), penúltima em PIB per capita (R$ 22.216).

Em relação às mortes prematuras por doenças crônicas não transmissíveis (como diabetes e hipertensão), São Paulo sequer consegue entrar no top 13 —Brasília lidera com 198,14 óbitos por 100 mil habitantes, seguida por Palmas (217,14) e Aracajú (241,09).

Florianópolis (6,41), Curitiba (7,72) e Porto Alegre (8,48) têm as taxas mais baixas de mortalidade infantil. A capital paulista está no 7º lugar (10,71), e Brasília (10,74) vem em seguida.

Folha ouviu as prefeituras, e o que se nota como denominador comum entre cidades bem colocadas é o direcionamento de recursos para áreas de maior vulnerabilidade, com uso de tecnologia da informação, telemedicina, campanhas contínuas para gestantes e grupos de doenças crônicas, foco na atenção primária em saúde, entre outras medidas.

Além disso, experiências de sucesso em determinadas localidades podem ser adaptadas em outras. Também seria de grande ajuda se governos nas três esferas cuidassem melhor dos seus orçamentos; dados os déficits observados, há muito a ser feito.

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