Stabile segue comandado no Corinthians

Desde o início da gestão interina do Corinthians, Osmar Stabile, ao ser criticado por sua submissão — a ponto de não escolher sequer um diretor estatutário —, respondia aos interlocutores que não poderia desagradar os eleitores.

Afirmava ainda que, assim que tivesse o mandato definitivo, as coisas mudariam.

Stabile venceu as eleições, mas, para isso, vendeu a alma aos diabos.

Firmou um acordo para acobertar malfeitos de dirigentes da Renovação e Transparência e distribuiu cargos a representantes do Centrão — grupo ligado ao vice Armando Mendonça.

O resultado mostrou-se ainda pior que no período interino.

Na prática, o verdadeiro presidente institucional do Corinthians é Romeu Tuma Junior, presidente do Conselho Deliberativo, que chegou a anunciar, por exemplo, a possibilidade de desacordo com a CAIXA sobre o pagamento do estádio de Itaquera sem ser contestado ou admoestado pelo mandatário — apesar de se tratar de assunto exclusivo da diretoria.

É dele a palavra final em questões de gestão.

Para ampliar seu poder, Tuma alçou Leonardo Pantaleão — a quem apadrinhou na política alvinegra — ao cargo de vice-presidente do Conselho e, consequentemente, à presidência do Conselho de Ética, órgão responsável, entre outras atribuições, por analisar eventual pedido de impeachment de Stabile.

Na outra ponta do acordo, o Centrão manteve os principais cargos remunerados do departamento jurídico, ainda que o titular da pasta seja ligado a Paulo Garcia, outro “capo” a ser agradado em Parque São Jorge.

Mas não ficou apenas nisso.

Desta vez, o Centrão chegou ao comando, ainda que informal, do futebol — pela primeira vez na história alvinegra.

Os gestores do principal departamento do Corinthians — razão da existência do clube — são Armando Mendonça e Fernando Alba, este último com passado nebuloso nas categorias de base.

É deles a ordem de manutenção no cargo de Fabinho Soldado, contrariando discurso de Stabile de que o demitiria no primeiro dia – este jornalista é testemunha.

Quando muito, o Presidente é convocado para posar nas fotos de contratações e renovações de contrato.

É o preço que aceitou pagar para incluir numa biografia até então irrelevante a “passagem” pela presidência do Corinthians — ainda que nunca tenha exercido, de fato, o cargo.

Restando menos de um ano e meio para novas eleições, é pouco provável, diante de tantas promessas de campanha a serem cumpridas, salvo coragem repentina, que venha a fazê-lo.

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