Corinthians e Palmeiras estão gravemente envolvidos com empresário ligado ao PCC

Ontem, a Polícia Federal, no âmbito da Operação Carbono Oculto, apontou o empresário João Carlos Falbo Mansur e sua REAG Investimentos como protagonistas de um esquema milionário de lavagem de dinheiro ligado ao PCC.
Segundo a investigação, a financeira estruturava fundos fraudulentos destinados à circulação de valores do crime organizado.
Mansur mantém fortes vínculos com Corinthians e Palmeiras, além de ter relevância também na Portuguesa — clube cuja SAF adquiriu e onde nomeou como CEO o controverso Alex Bourgeois, oriundo dos bastidores do São Paulo Futebol Clube.
No Corinthians, Mansur ingressou por intermédio da família Monteiro Alves, ainda atuante na gestão de Osmar Stabile.
Adriano Monteiro exerce o papel de “CEO informal” e agente de negócios da nova diretoria.
Participou, por exemplo, das tratativas com a Adidas e, posteriormente, com a Nike.
Ao lado do irmão Duílio, Adriano esteve, há cerca de duas semanas, em negociações para obter o perdão do clube no caso dos cartões corporativos e das notas frias — tratativas conduzidas com Tuma Júnior, de quem é próximo, e com Leonardo Pantaleão.
O acerto resultou no apoio do grupo Renovação e Transparência a Stabile nas eleições do Corinthians.
Outro negócio controverso trazido por Adriano ao clube foi a Taunsa.
Há quem diga, em troca de comissionamento.
A empresa lucrou com a exposição na camisa do Corinthians, mas o clube sequer recebeu a primeira parcela do acordo — assinado sem aval do compliance e também do departamento jurídico.

Corinthians e a REAG
Desde o início do projeto do Estádio de Itaquera, há quase doze anos, o Corinthians consentiu com a criação do Arena Fundo FII, gerido pela financeira BRL Trust, que só deixou o negócio totalmente em julho de 2023.
A REAG chegou ao clube pouco antes, pelas mãos de Adriano Monteiro Alves, irmão do então presidente Duílio “do Bingo”.
Em 25 de outubro de 2021, a empresa estruturou o SCCP Fundo, que deveria, a princípio, substituir o Arena Fundo.
Contudo, diante de ilegalidades documentais — que levaram a CVM a autorizar o início das operações apenas em julho de 2022 — a manobra foi abortada.
Tratava-se de um acordo com a Caixa, posteriormente modificado.

Havia, até então, divergência financeira entre o clube e a controladora.
No balanço do Fundo, constava uma pendência de responsabilidade do Timão, próxima de R$ 60 milhões (R$ 100 milhões corrigidos); já nas contas da agremiação, essa dívida era — e ainda é — ignorada.

O estranho reconhecimento da dívida
Em 16 de julho de 2023, o Arena Fundo FII, gestor das contas do estádio de Itaquera, aprovou, em reunião ordinária e extraordinária de cotistas, “por unanimidade e sem qualquer ressalva”, as contas dos exercícios de 2016, 2017, 2018, 2019, 2020 e 2021 — que jamais haviam sido submetidas à votação.
Dez dias depois, a REAG substituiu a BRL Trust na administração das contas da Arena.
Na ata da reunião, consta o aval do Corinthians, com carimbo e visto do departamento jurídico.
As demonstrações do Fundo, até 2021, indicavam que o clube devia quase R$ 60 milhões — valor que, no balanço seguinte, saltou para R$ 100 milhões.
Uma pendência até então negada pelo Corinthians passou a ser reconhecida, sem que os conselheiros tivessem ciência da questão, já que o débito foi ignorado nos balanços do clube — o que permanece até hoje.


REAG substitui a BRL TRUST
Em 26 de julho de 2023 — dez dias após o Corinthians reconhecer uma pendência milionária que antes negava — foi realizada Assembleia Geral Ordinária e Extraordinária do Arena Fundo FII, gestor das contas do estádio de Itaquera.
Na ocasião, a BRL Trust afastou-se da administração.
Por unanimidade — ou seja, com o voto do próprio Corinthians — a REAG Administradora de Recursos Ltda. foi aprovada como nova gestora do Fundo.
A empresa ocupa função semelhante no SCCP Fundo, também sob responsabilidade do Corinthians e que, pelo acordo firmado com a Caixa, deveria substituir o Arena.
O controlador da REAG é o empresário João Carlos Falbo Mansur.
Na mesma reunião, foram aprovadas as contas relativas ao exercício de 2022, que apontaram uma dívida próxima de R$ 100 milhões do Corinthians.
Documento demonstra o crescimento da dívida do Corinthians com o Fundo, no período de apenas 12 meses após o reconhecimento da pendência em assembleia, de R$ 56,8 milhões para R$ 99,5 milhões (atualmente, mais de R$ 100 milhões)

A dívida permanece.
Desde então, a REAG não apresentou, não publicou e tampouco auditou os balanços do Arena Fundo FII.
Clique nos links a seguir para baixar a íntegra da Assembleia Geral e também o novo regulamento do Arena Fundo, com a REAG constando como administradora:
Clique para acessar o Assembleia-Geral-Ordinaria-e-Extraordinaria-Arena-Fundo-julho-2023.pdf



Palmeiras
No Palmeiras, Mansur chegou junto com a WTorre — de quem fora funcionário antes de ingressar no submundo do mercado financeiro —, intermediando o negócio apesar de já carregar uma folha corrida das mais desrespeitáveis.
Em comissões, teria embolsado R$ 2,4 milhões — valor que, corrigido, alcança cerca de R$ 7 milhões.
Os pagamentos, segundo fonte, foram disfarçados em contrato de “consultoria de obra”.
Desde então, passou a se entrelaçar nos bastidores do poder alviverde.
Contudo, destaque político só viria com a chegada de Leila Pereira à presidência.
Mansur financiou parte de sua campanha e, em troca, tornou-se — com apoio dela — o membro mais votado do COF, órgão em que exerce forte influência.
Nos corredores do clube, era trabalhado como sucessor de Leila nas próximas eleições.

CPI do PREVIPALMAS
A ligação com o PCC não é a primeira falcatrua relevante em que José Carlos Mansur figurou com destaque.
Em abril de 2019, na condição de CEO da REAG, o empresário foi convocado a depor na CPI do PREVIPALMAS, sob suspeita de facilitar um desfalque de R$ 50 milhões nos cofres públicos.
Mansur administrou o fundo Cais Mauá por apenas dois meses, em 2018 — justamente o período em que os recursos teriam desaparecido — e só renunciou à gestão após a deflagração da Operação Gatekeeper, da Polícia Federal.

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