Corinthians: as obrigações de Osmar Stabile, Tuma e Pantaleão

Stabile

Ratificado como presidente da Diretoria, Osmar Stabile, em tese, estaria livre para, a partir de agora — conforme prometeu ao Blog do Paulinho — administrar o Corinthians sem a necessidade de agradar eleitores.

O que se viu nos últimos dois meses, no entanto, foi um presidente refém de terceiros.

É preciso coragem para mudar esse quadro.

Cumprirá sua obrigação se cortar gastos e acabar com privilégios.

Também, se montar uma diretoria profissional, ainda que pese contra ele os compromissos assumidos durante a campanha.

O clube não resistirá a mais um ciclo de amadorismo, espertezas e saques perpetrados pelos de sempre.

Não é admissível, por exemplo, que Stabile mantenha “na surdina” — porque não podem ocupar cargos oficiais — figuras como Raul Corrêa da Silva, a quem sempre criticou, protagonista dos deslizes do grupo Renovação e Transparência, assim como Rozallah Santoro, o homem das finanças de Augusto Melo.

Os corinthianos, que antes das eleições pouco esperavam do presidente, querem ser surpreendidos.


Tuma e Pantaleão

Romeu Tuma Junior, presidente do Conselho Deliberativo, e Leonardo Pantaleão, ex-diretor jurídico de Augusto Melo e também de Osmar Stabile, trabalham desde sempre alinhados.

O que isso significa?

A princípio, é possível traçar um paralelo com a atuação do juiz Sérgio Moro com o procurador Dallagnol – que combinavam procedimentos processuais embora tivessem que manter distância litúrgica inerentes às funções.

Em ocorrendo no Corinthians, Pantaleão, na condição agora de vice-presidente do Conselho e também da Comissão de Ética teria quase como certas as condenações de seus investigados no Conselho Deliberativo do clube, assim como haveria a possibilidade, dentro da cadeia de comando descrita, que priorizasse os desejos – e a fila processual – de seu padrinho em Parque São Jorge.

É nesse sentido que todos, conselheiros, associados e torcedores do Corinthians precisam ficar atentos.

Punir os conselheiros que delinquiram durante a gestão Augusto Melo – além do próprio – é absolutamente necessário, desde que individualizadas as ocorrências, mas de nada adiantará se houver ‘passada de pano’, como ensaiada nas recentes declarações de Pantaleão, para os malfeitos de Andres Sanchez e Duílio ‘do Bingo’ – pegos com a boca na botija em procedimentos que são investigados como crimes pelo Ministério Público de São Paulo.

O Estatuto do Corinthians, assim como ocorrido no caso da gestão anterior, dá margem, inclusive, a afastamento preventivo.

Convenhamos, fartos são os indícios para tal.

Por fim, seria de bom tom, embora improvável, a não ingerência ostensiva da dupla – principalmente de quem dita as ordens – sobre a gestão de Osmar Stabile, permitindo ao presidente a possibilidade de governança, se não totalmente independente, ao menos desvinculada da necessidade de beijar mãos antes de qualquer tomada de decisão.

Facebook Comments

Posts Similares

Deixe uma resposta

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.