Do doping financeiro à corrupção: desenhando o fracasso do Corinthians

Marcos Boccatto, Vinicius Cascone e Augusto Melo

A gestão do agente de jogadores Augusto Melo, em vias de sofrer impeachment, é, de longe, a mais incompetente da história do Corinthians.

Ninguém, em tão pouco tempo, errou tanto.

Mas não foram apenas equívocos.

Investigações da polícia civil, do GAECO e o dia a dia alvinegro demonstram que o ilícito é padrão em Parque São Jorge.

O crime ‘organizado’, conforme denunciado pelo ex-diretor de futebol, se compôs com a diretoria e dá as cartas.

A prioridade dessa gente, por óbvio, é o dinheiro.

O saque é facilitado pelos que se fingem corinthianos.

Desde os que trocaram apoio por facilitações (negócios, empregos, etc), neste caso alguns associados e conselheiros, além de profissionais de comunicação (influencers), passando pela proteção, política, da presidência do Conselho Deliberativo, até os vendidos dos Gaviões da Fiel.

Todos, com o aproximar do desastre, deverão largar as mãos da diretoria, alguns com inconvincentes discursos de que foram ‘enganados’.

Não à toa, diante desse quadro, os resultados são terríveis.

No futebol profissional, apesar do doping financeiro – o clube gastou próximo de R$ 200 milhões para montagem do elenco -, em desrespeito aos caixas alvinegros e também aos adversários, o Corinthians está às portas do vexame: 18º colocação do Brasileirão, com jogos a mais do que muitos, cada vez mais próximo do rebaixamento.

A situação é tão grave que o Timão, se estiver na Série B em 2025, terá que quitar a dívida destas contratações – todas realizadas a prazo com multa por atrasos entre 30% e 50% – e, com verbas menores de TV e CBF, montar um time que possa reconduzi-lo à primeira divisão.

Nas categorias de base o resultado não foi diferente.

O Corinthians, que, meses atrás, havia conquistado a Copa São Paulo de Juniores, foi eliminado na primeira fase do Brasileiro sub-20, ocupando a antepenúltima posição (18º).

Por sorte, o regulamento não prevê o descenso.

A equipe vencedora foi desmontada para abrir espaço à quase cinquenta contratações, a maior parte delas, evidentemente, de ‘esquema’.

Augusto Melo inseriu no departamento, entre cartolas, ex-jogadores e gente ligada à criminalidade, todos os pilantras e achacadores que estiveram com ele no União Barbarense.

Ao redor de tudo isso, não faltam escândalos, nem todos ligados ao futebol.

Mais do que encontrar soluções políticas ou empresariais para a tragédia, o clube precisa ajudar a punir os que se aproveitaram da paixão popular para resolver a vida pessoal.

Os nomes são conhecidos.

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