CORI aprovou direitos de TV do Corinthians sem ver o contrato

Ontem, o CORI (Conselho de Orientação do Corinthians) aprovou, por unanimidade, o acordo firmado pelo clube com a Liga Forte.
Os conselheiros, porém, não tiveram acesso sequer à minuta do contrato.
A aprovação se deu ‘na confiança’, após exposição do novo diretor de finanças Pedro Siqueira, ex-XP-US – acusado de ilegalidade nos EUA, que exerce o cargo, embora não empossado oficialmente.
Amadorismo, irresponsabilidade ou esperteza? O leitor decide.
Vale lembrar que o CORI é presidido pelo desembargador Miguel Marques e Silva, amigo de Marcos Boccatto, ligado ao Água Santa; a vice-presidência é ocupada por Roberto Parisi, que é para Augusto Melo o que o bolsominion significa ao bolsonarismo – embora também faça parte deste núcleo.
Ou seja, o que o ‘Minto’ disser, neste caso, os Mintos’, amém.
Embora Siqueira tenha falado em R$ 220 milhões anuais pelo acordo, este número somente será atingido se o Corinthians vencer o Brasileirão.
O valor cairá proporcionalmente à colocação no clube no torneio.
Se estiver na 2ª divisão, muito mais, porque o clube perderá, também, o percentual de audiência..
Há ainda a questão do adiantamento de R$ 150 milhões, que não é gratuito, mas formalizado como empréstimo para pagamento em, no máximo, um ano.
Se passar disso, o que sobrar será refinanciado a juros mais gravosos.
Em meio ao caos financeiro alvinegro, o problema nem é o CORI aprovar ou não os direitos de TV – que, mesmo mal explicado, é passível de consentimento -, mas fazê-lo sem olhar uma lauda sequer de documento.

O CORI não provou contrato algum. Deu parecer favorável por unanimidade aos números apresentados. Firmado o contrato, este voltará ao CORI.