Sobre Fernando Alba, o Abóbora, no futebol do Corinthians

Felipe Ezabella, Raul Corrêa da Silva, Sergio Alvarenga e Fernando Alba

“(…) aqueles caras lá não prestam, porque eu sempre deixei claro lá, o Fausto e o Alba, o esquema deles na Base”

(AUGUSTO MELO, pouco antes das eleições do Corinthians)


Em pagamento ao apoio eleitoral do ‘Centrão’, formado pela união dos grupos de Felipe Ezabella e Raul Corrêa da Silva, o agente de jogadores Augusto Melo, presidente do Corinthians, nomeou Fernando Alba para o cargo de diretor adjunto de futebol profissional.

A colocação é subalterna à de Rubens Gomes, o Rubão, que é o Diretor de Futebol.

Na prática, Alba não mandará, mas, certamente, dividirá.

Sua trajetória no Corinthians vai muito além da biografia oficial que foi divulgada, ontem, pela mídia e através da assessoria oficial do clube.

Andres Sanches, Oldano Carvalho, Fernando Alba e Raul Corrêa da Silva, em Londres, após encontro com Kia Joorabchian (foto batida por Osmar Stabile)

Em 2007, Alba esteve em Londres, ao lado de Andres Sanches, Raul Corrêa da Silva, Oldano Carvalho (seu sócio), Osmar Stabile e Marlene Matheus para conversarem com Kia Joorabchian em meio ao período MSI.

Saíram de lá acertados.

Após a eleição de Andres, Alba surgiu ‘Diretor de Piscinas’ para, na sequência, se tornar ‘Diretor das Categorias de Base’.

Foi neste cargo que pintou e bordou ao mesmo tempo em que seu patrimônio, formado por empresas de estacionamento, teve grande evolução.

O caso mais famoso lhe impôs o apelido de ‘Abóbora’, após, supostamente, ter recebido um caminhão deste legume como presente de agradecido intermediário da bola.

Quando Alba era cartola da base, casos de corrupção foram revelados, alguns notórios, como os envolvendo o gerente Fábio Barrozo.

Outras histórias também.

André Campoy e Fernando Alba

Em determinado momento, jogadores da base, promissores, eram dispensados e surgiam noutras equipes, levados por intermediários que circulavam em Parque São Jorge ao lado do dirigente – entre os quais André Campoy (que também fez negócio com Augusto no caso Matheus Araújo).

A maior parte destes aportava no Athletico/PR.

Outra esperteza ocorria numa espécie de ‘parceria’ informal entre o Futsal, sob responsabilidade do diretor Fausto Bittar – o Faustinho – e o futebol de base, dirigido por Alba.

Os melhores eram direcionados ao campo, mas, antes de jogarem no Corinthians, eram abordados pelos intermediários.

O sistema era tão escancarado que Augusto Melo, em áudio vazado ao Blog do Paulinho, comentou:

“(…) aqueles caras lá não prestam, porque eu sempre deixei claro lá, o Fausto e o Alba, o esquema deles na Base”

Ouça, abaixo:

O que faz um presidente conceder cargo no futebol a quem tratava como de ‘esquema’ somente o submundo da bola poderá responder.

Resta saber como será o convívio do Abóbora com Rubão.

Ambos são adeptos dos mesmos hábitos (de ‘sobrevivência’), mas nunca trabalharam no mesmo grupo; ou se acertam, ou se matam.

É bem mais provável que se encaixem.

O Corinthians, indefeso, seguirá sob ataque, até que surja, num horizonte ainda invisível, quem possa retirá-lo de tão grave situação.

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