O golpe da manutenção dos empréstimos de agentes no Corinthians

O novo balanço do Corinthians, que deverá ser aprovado no próximo dia 24, porque o Conselho Deliberativo é do mesmo nível da Diretoria, como de hábito, revela que os empréstimos tomados, há anos, com agentes de jogadores, seguem sem pagamento.

Ninguém estranha a ausência de cobrança e a continuidade dos negócios entre credores e caloteiros?

Elementar, meu caro Leitor.

O dinheiro está ‘guardado’ no Corinthians como se fosse caução para manutenção de esquemas que, há décadas, perduram em Parque São Jorge.

Enquanto a mesma diretoria estiver no poder, os negócios se mantém como estão e a grana seguirá não sendo cobrada.

Se houver alternância, e o novo mandatário romper com o sistema, no dia seguinte os agentes ingressarão na Justiça, cobrando as dívidas com todas as correções e multas possíveis.

Por falar em juros, se não houver erro nos balanços recentes do Corinthians, as pendências estão sendo demonstradas, há anos, com o mesmo valor, apesar de discriminados os juros incidentes.

Exceção feita a Carlos Leite, a quem o clube agraciou com a redução da dívida, em apenas 12 meses, de R$ 8,3 milhões para R$ 2,7 milhões, sem a necessidade dele entrar com reclamação judicial.

Privilégio de poucos em Parque São Jorge.

Talvez a fama de dividir dinheiro com cartolas, e o fato de ter contribuído financeiramente para a campanha dos atuais gestores, possa ter ‘sensibilizado’ o presidente Duílio ‘do Bingo’.

No caso dos demais, das duas, uma: está ocorrendo improvável pagamento apenas dos juros ou estes estão sendo revertidos em percentuais de jovens promessas, que não aparecem na listagem de jogadores exposta aos conselheiros, facilitando a operação.

Abaixo a lista de agentes de jogadores credores do Timão:

  • Kia Joorabchian/Giuliano Bertolucci: R$ 8,1 milhões (1,5% ao mês);
  • Carlos Leite: R$ 2,7 milhões (1,94% ao mês);
  • André Cury: R$ 3,3 milhões (0,6% ao mês);
  • Denis Maldebaum (ligado a Roberto Andrade): R$ 300 mil.

O clube deve ainda R$ 51,3 milhões ao banco Daycoval (1,27% ao mês), R$ 22,4 milhões ao BMG – ligado a Joorabchian (1,30%), R$ 1,9 milhões ao Bradesco (CDI + 0,6%) e R$ 105 mil ao Santander (CDI + 0,85%).

Totalizando, entre bancos e agentes, quase R$ 100 milhões em empréstimo; precisamente R$ 97.015.000,00.

Nesse contexto, escondendo calote de R$ 100 milhões no Arena Fundo – assumido pelo clube em Assembleia Geral de acionistas, e tomando outros R$ 100 milhões de terceiros, sem contar diversas outras ‘maquiagens’, demonstrar, no balanço, superavit e redução de dívida soa tão verdadeiro quanto o slogan ‘renovação e transparência’, lema dos cartolas que há dezesseis anos infelicitam o poder alvinegro.

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