Sob ‘fogo amigo’, ABI clama por Democracia e Renovação

Ainda pré-adolescente, enquanto amigos da mesma idade preocupavam-se com afazeres diversos, não iniciava o dia sem ler todos os jornais disponíveis, hábito que mantenho até os dias atuais.

Recortava e guardava matérias que julgava relevantes para, depois, comentá-las em meu caderno de anotações.

Já tinha, nas veias, o sangue da profissão, mas somente no final de 2006, aos 34 anos, por desvios diversos de uma vida que priorizava a busca do pão de cada dia, passei a, efetivamente, exercê-la.

Antes de criar, por puro acaso, o Blog do Paulinho, tinha jornalistas em alta conta.

Era o início das mídias sociais e o Orkut, com suas ‘comunidades’ de discussões – bem antes de Facebook, Instagram, etc., reinava absoluto.

Nele, enquanto discutia-se os mais variados assuntos, o meu canto homenageava um famoso jornalista, muito antes de saber que viria a encontrá-lo e fazer parte de seu círculo de amizades.

Este preâmbulo se faz necessário para destacar meu espanto inicial com o submundo a que tive acesso assim que o blog começou a despontar como espaço importante em notícias de bastidores do esporte, e, por consequência, a atingir audiência destacada.

Desde então, garotos propagandas que se travestem, até hoje, como jornalistas, pediram minha cabeça a portais; outros a prisão; alguns, quando de uma entrevista coletiva, chegaram ao desplante de, em defesa do próprio bolso, puxarem vaias ao notarem minha presença; e até uma entidade de classe, a ACEESP, emitiu Nota Oficial comemorando meu encarceramento por suposto crime de opinião – redigida por um Presidente de hábitos revelados pelo meu trabalho.

Confesso que, apesar de calejado com a sujeirada, esperava comportamento diferente nestas eleições da ABI, principalmente pelo fato dos atuais mandatários, indiscutivelmente, terem restabelecido o respeito e a relevância da entidade.

Oposição faz parte do jogo democrático, mas, num ambiente em que todos, aparentemente, jogavam no mesmo time, ou seja, a luta pela Democracia contra os desmandos do pior Governo da história do Brasil, em vez da coerência e civilidade, a busca, a qualquer custo, pelo trono, se faz presente.

Nos bastidores, sob o manto de lutas pretéritas contra a Ditadura, veteranos se comportam como se tivessem salvo-conduto para qualquer tipo de comportamento futuro.

Sentem-se donos da ABI e atacam, com preconceitos, mentiras e ardis, candidatas escolhidas pelo grupo situacionista como sucessoras da atual diretoria.

“Elas estão sendo manipuladas’, é um dos misóginos argumentos de quem não teria coragem de repeti-los se direcionados ao sexo masculino.

São tantas ‘fake-news’ jogadas ao ar – entre as quais até a promessa de parceria com chineses – que é difícil não crer em interferência de bolsonaristas travestidos de democratas na condução da campanha.

Os hábitos, ao menos, se assemelham.

Semana passada, a candidata a presidente foi chamada para o que seria uma conversa objetivando suposta unidade da entidade; saiu de lá, sem se dar conta, compromissada com um debate público.

Soube apenas quando, em mídia social, estava postado um banner com a chamada do ‘evento’.

Ainda assim, apesar de diagnosticado o ardil, manteve a palavra.

Até que, após excessivos ataques à honra, com direito a recortes de vídeos descontextualizados, manifestou-se publicamente.

Para conferir a manifestação, clique no link a seguir:

Jogo sujo nas Eleições da ABI

Em meio a novo linchamento, encontrou entre os comentários depreciativos a assinatura de quem, não apenas propôs a ‘unidade’/debate, como se ofereceu à mediação.

Já era demais.

O encontro, imediatamente, foi cancelado.

Nesse ambiente deplorável, em que conselheiros, em paralelo aos fatos relatados, estão sendo perseguidos por vingança, atacados na honra sob argumentações puritanas dos que, no privado, são capaz dos piores comportamentos, que uma então pacificada ABI – era o que aparentava – decidirá os rumos de sua gestão para os próximos anos.

Muita coisa está em jogo.

Entre as quais, a política de defender, com ação, não apenas palavras, a Democracia e, consequentemente, a profissão.

Nos últimos anos, a ABI mudou, melhorou e precisa seguir adiante, ainda que precise, internamente, superar, além dos gananciosos, seus próprios preconceitos.

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