Roger Flores, Neto e a seletiva revolta dos conselheiros do Corinthians

Rogerneto gaviões

Onze entre dez amantes do futebol afirmavam, desde sempre, que o então meia do Corinthians, em tempos de MSI, tratado à época como Roger “chinelinho”, perdeu sua penalidade contra o Figueirense, em partida que eliminou o Timão da Copa do Brasil 2005, propositalmente, no intuíto de derrubar o treinador Daniel Passarela, um dos preferidos de Kia Joorabchian.

A imagem do lance é tão elucidativa que qualquer tipo de confissão sempre se fez desnecessária.

Assim como nunca se precisou que figuras como Paulo Maluf, por exemplo, confirmassem ter desviado dinheiro do Estado de São Paulo, ou que o ex-presidente Lula afirmasse saber das tramas que levaram ao crime do “mensalão”.

Porém, a confissão do agora comentarista – por sinal, dos melhores – Roger Flores, bancada pelo Blog do Juca, do referido episódio, além de agravar a situação, gerou revolta absoluta em torcedores e conselheiros do Corinthians, que vociferaram pelas mídias sociais.

Pedem, inclusive, a cabeça de Roger na SPORTV.

Nunca se teve dúvida dos desvios de conduta, e pelo que se observa, também de caráter, de Roger enquanto jogador de futebol, tanto que o sentido do apelido “chinelinho” existe, exatamente, pelo hábito do ex-atleta de “dar migué” para evitar jogar partidas que não eram de seu interesse.

Sem o mesmo alarde, inclusive, Flores chegou a “ensinar” a tramoia, recentemente, num dos programas da SPORTV.

Roger sempre foi isso ai, como homem, e quem o acompanha na televisão está ciente de que suas opiniões, apesar de entender muito de futebol e ser competente ao expressá-las, vez por outra podem servir a interesses que não o da verdade.

A SPORTV assumiu o risco.

Cabe ao telespectador ignorar seu passado ou repudiá-lo, trocando de canal.

Espanta, porém, que os mesmos torcedores do Corinthians, e seus conselheiros, não iniciem campanha de expulsão da televisão – como fazem agora, até com justiça, no caso de Roger – doutros comentaristas que também assumiram barbaridades diante das câmeras, talvez, ainda piores do que as cometidas pelo atual profissional da emissora carioca.

Na BAND, por exemplo, o comentarista Neto, com o agravante de se dizer corinthiano e ocupar cargo de conselheiro no clube, vive repetindo que entregou jogos no Timão para derrubar treinadores que não lhe agradavam.

Qual é a diferença ?

Não consta que a revolta dos conselheiros alvinegros, que beijam Neto quando o encontram, tenha sido semelhante, ou que, sequer, chegou a existir.

Bater em Roger, repito, com justiça, e exaltar Neto, dois semelhantes do futebol (não é o caso de Juca Kfouri, que sempre bateu nos dois) é um procedimento seletivo de indignação que enfraquece qualquer tipo de conduta sugerida de punição, seja nas redes sociais ou até processuais.

Facebook Comments

Posts Similares

Deixe uma resposta

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.