
Por TIBÚRCIO OLIVEIRA
Às vésperas das revoltas populares que viriam a constituir a sangrenta Revolução Francesa, quando Ministros disseram à Rainha Maria Antonieta que “o povo não tinha pão”, ela respondeu: “que eles comessem brioches”.
Logo mais o Rei Luiz XVI e ela seriam guilhotinados pelo povo no poder.
Agora, no Brasil, quando o povo não pode comprar arroz, o empresário Sr. João Sanzovo Neto, Presidente da Associação Brasileira de Supermercados – ABRAS, sugere que o povo “coma macarrão” (noticiário do dia 09; O Estado de S. Paulo, 10/9, p.B2).
Ora, grande parte do miserável povo brasileiro (cerca de 60 milhões, segundo alardeia o programa Auxílio Emergencial) não tem dinheiro para comprar nem arroz, nem pão, estão sugerindo displicentemente e impiedosamente, mas cinicamente, que comprem macarrão!
Será que – para ser mais barato, e para os fabricantes e supermercados auferirem mais lucros – o macarrão do Sr. Sanzovo será sem ovo?
É mais um escarnio atirado ao rosto do povo!
A situação nos faz lembrar a estória do Zé Povinho, criação do grande cartunista Belmonte, que perguntando como ele vivia ouviu a resposta: “os tempos estão bicudos, só como o pão que o Diabo amassou e só passeio pela Rua da Amargura”.
Será que estamos às novas vésperas ?…
Sugerimos que a Receita Federal investigue se o referido Sr. Sanzovo, e excelentíssima família, têm empresas e carros importados em nome da pessoa jurídica.
Infelizmente, ainda é legal. Mas o povo, que não pode comer nem arroz, nem pão, nem macarrão, e vive sem ovo, em extrema penúria (já teve que comer a galinha), gostaria de saber o que a Lei permite ao andar de cima.