
O Campeonato Brasileiro, iniciado no auge da pandemia de Covid-19 no país, apresenta os resultados esperados por qualquer pessoa sensata, em regra, não envolvida nos interesses financeiros de clubes e entidades: dezenas de jogadores infectados.
Mas não só eles.
Cartolas, treinadores e funcionários diversos adoeceram.
Para sorte da CBF, nenhum dos envolvidos, diretamente, nos jogos morreu.
É difícil saber se, indiretamente, pessoas infectadas nas famílias e no grupo de amizade dos atletas tiveram o mesmo destino.
Apesar disso, com imensa cara-de-pau, Jorge Pagura, coordenador médico da Casa Bandida, declarou:
“Vamos apresentar o estudo, atualizado até a 19ª rodada do Campeonato Brasileiro, no qual mostra que fizemos em mais de 100 mil horas de jogo 45 mil testes [em todas as séries] e não temos evidência de contaminação dentro de campo. Mas estamos vendo praias cheias, shoppings, restaurantes, churrascos, baladinhas lotados”
Como se fosse possível, ao certo, afirmar ou descartar a possibilidade de contaminação, seja ela em que lugar for, inclusive nos mais protegidos.
A questão, obviamente, não é essa.
Sem a vacina, somente o isolamento social e, em caso de necessidade de ir à rua, os procedimentos básicos de proteção (máscara, distanciamento, etc) podem amenizar o contágio em massa da população.
Querer, como fez o Dr. Pagura, disputar se a irresponsabilidade da CBF é maior ou menor do que a dos que não se protegem nos eventos cotidianos é desserviço social que, diante da suposta capacidade intelectual do propagador, evidencia-se, dolosamente, como incitadora à desobediência das normas sugeridas pela OMS.
O futebol, diariamente na tv, é exemplo de conduta, nem sempre correta, para muita gente.
Assim como as palavras de profissionais da medicina, razão pela qual a responsabilidade com a mensagem sugerida deve ser redobrada.