
Logo no início das transmissões a cabo no Brasil, a ESPN surgiu como se fosse um ‘oasis’ de jornalismo esportivo em meio à mediocridade reinante na imprensa nacional.
Dava gosto permanecer horas à frente da tv para assistir programas especiais com produções impecáveis, documentários e as mesas redondas.
Todos os produtos da ESPN priorizavam a informação correta, sem que fossem sisudos demais, num equilíbrio perfeito para o telespectador.
Porém, com o passar do tempo, a emissora, por culpa de seus gestores, não dos profissionais que integravam seu quadro jornalístico, passou a perder audiência.
O motivo era óbvio: a ESPN perdeu a briga com o grupo Globo pelos direitos de transmissão dos campeonatos mais assistidos do país.
Sem essas atrações, ainda que com profissionais qualificados, seria difícil competir com a concorrencia.
No meio do caminho, anos atrás, a emissora, equivocadamente, em vez de tentar reverter o quadro da perda de torneios relevantes, decidiu que deveria desqualificar seus programas, tornando-os mais fúteis, e, em tese, populares.
Demitiu-se jornalistas com ‘J’ maiúsculo, do calibre de José Trajano e Helvídio Mattos, substituídos por comunicadores competentes, mas irrelevantes em profundidade.
Os que foram mantidos ficaram relegados a ‘pequenas ilhas’ de qualidade, ainda assim as mais expressivas, inclusive em repercussão, da emissora.
Por razões obvias, a audiência não reagiu.
Ontem (14), a ESPN como conhecíamos, local de trabalho cobiçado por nove de cada dez estudantes de jornalismo (dedicados ao esporte), definitivamente desapareceu.
Cortou-se, entre demissões e não renovações de contrato, o que ainda restava de relevante na emissora.
A ESPN abandonou o jornalismo esportivo para dedicar-se, exclusivamente, ao entretenimento, com grande probabilidade de que seus profissionais (com pontuais exceções), como já acontece na Rede Globo (que se segura por conta de possuir eventos relevantes no cardápio), passem também a fazer merchan.
Triste fim para um canal que, após sucessivos equívocos em busca de audiência, decidiu ser igual aos outros, no pior sentido da qualificação.